Tuesday, January 09, 2007

Paixão se escreve com TH

Corinthiano é uma coisa, corintiano é outra.

Corinthiano é o torcedor fiel, o que enfrenta lua, sol, chuva, granizo, raios e terremotos para ver drapejar a bandeira alvinegra nos estádios e sentir pulsar no peito a cartilagem da alma nas vitórias, nos empates e nas derrotas. Corinthiano somos nós, os devotos de um sonho que se fez um pedaço de nós mesmos.

Já corintiano, assim, mais simplezinho, é quem nasce na cidade do Corinto, no coração de Minas Gerais. Se não acreditarem, procurem no mapa. Corinto fica ali, depois de Curvelo, depois de Morro da Graça, para os lados de Morro de Senhora da Glória. Corintiano é todo bom mineiro de bom gosto que nasce em Corintio. E há também os coríntios, aos quais se dirige o apóstolo Paulo em várias de suas cartas. Portanto, os coríntios estão no Novo Testamento; os corintianos estão em Minas Gerais. E os corinthianos, em toda parte.

Lourenço Diaféria.
"Paixão se escreve com TH" - Jornal Popular - 13.07.94.

Monday, January 08, 2007

Cláudio Christovam de Pinho

O extraordinário ponta-direita corinthiano Cláudio Christovam de Pinho era conhecido como "O Gerente" por ser o principal líder da equipe na década de 40: um verdadeiro técnico em campo.

No Parque São Jorge existe um busto em sua homenagem, onde consta que o jogador marcou em sua carreira no Corinthians 295 gols. No entanto, o pesquisador Cláudio Casella descobriu nos arquivos do Parque São Jorge outros 10 gols marcados por este ídolo corinthiano, em amistosos, o que faz dele o maior artilheiro corinthiano de todos os tempos, com 305 gols.

Cláudio também foi o jogador corinthiano que mais balançou as redes em partidas contra o Palmeiras. Foram 24 gols ao todo, marcados nas décadas de 40 e 50. O jogador da equipe alviverde que mais marcou contra o Corinthians foi Heitor, somente 16 vezes, nas décadas de 20 e 30.

Antes de jogar pelo Corinthians, Cláudio passou pelo Santos e pelo Palmeiras.

Foi três vezes campeão paulista pelo Corinthians, nos anos de 51, 52 e 54, e ainda campeão da Rio-São Paulo nos anos de 50 e 53.

Cláudio faleceu no ano de 2000.

A FIEL, onde todos somos iguais

Foi numa daquelas noites de Pacaembu. Só a vitória interessava. E olha que o vilão desta história não era nenhum bicho-papão, mas, sim, o xv de piracicaba - afinal, que, diferença faz o adversário quando se sai de casa é para ver o CORINTHIANS? E como o Nhô Quim estava dando trabalho aquela noite! Até que, enfim, acabou caindo. Vitória garantida, perto de um final feliz, a FIEL passou, então, a exercitar aquele passatempo de todas as vezes em que as circunstâncias de um jogo permitem: curtir a si mesma. Os gritos partiam sempre dos Gaviões. O primeiro, eu me lembro bem, dizia o seguinte: “É tobogã, é tobogã!” E o pessoal que estava sentado lá do outro lado estádio – lugar menos nobre, mas do qual não há CORINTHIANO que não guarde uma história de seus tempos de grana curta – acenava gritando “Eeeeeee!” Um agradecimento à saudação.
Em seguida, novo grito dos Gaviões: “É numerada, é numerada!” E tome gente mais bem-vestida aplaudindo, alguns até de paletó e gravata (porque vinham direto do serviço), pais, mães, avôs, filhos e netos, famílias inteiras enfim. A homenagem cobria, pela ordem, todos os setores do querido Pacaembu. “Curvinha, curvinha!”, gritavam os torcedores organizados. Logo, também se manifestava aquele grupinho do qual praticamente todos se conhecem pelo nome, tantos os jogos que se reuniram para ver ali, na curva à direita de quem entra pelo portão principal. No fim, para coroar – e agora não só os Gaviões, mas todos os “toboguistas” engravatados, mulheres, crianças, os respetáveis senhores da curvinha e eu - soltamos o grito maior, em uníssono orgulhosos de ser quem nós somos e sempre seremos: “TIMÃO ÊO! TIMÃO EÔ!...”
Naquela noite, parei para pensar no quanto nós, os CORINTHIANOS, somos diferentes. Na verdade, já sabia disso desde a primeira vez em que estive em um estádio, em 1978 (1x1 contra o santos, gols de Romeu e Aílton Lira). Alguém irá dizer: “Ah torcida em estádio de futebol é assim mesmo. Tudo igual.” Bobagem de quem nunca sentou no cimento. O sentimento que une a todos nós, CORINTHIANOS, é único. Impede de ir trabalhar de bom humor no dia seguinte a uma derrota, como se nada tivesse acontecido, como faz boa parte dos são paulinos. Somos sim, obcecados por títulos e vitórias. Mas não a ponto de, em caso de derrota, quebrar troféus e achar, de uma hora para a outra, que ninguém mais no time presta, como faz a maioria dos palmeirenses. E não resumimos o nosso amor a um deus de carne e osso, como fazem todos os santistas com Pelé.
Já vi muito jogo de muito time pelo Brasil e pelo mundo afora. A torcida do CORINTHIANS é maior? É melhor? Não sei nunca contei. É diferente? Tenho certeza. O que sei, também, é que um dos sonhos mais perseguidos pelo ser humano até hoje eu só encontrei no meio da torcida do CORINTHIANS. É a igualdade. Foi este o sonho dos socialistas do inicio do século. Das mulheres nos anos 60. Dos negros até hoje e de bem recentemente, na África do Sul dos tempos do Apartheid. Pois bem: em pouco mais de 30 anos de vida, confesso que o único lugar do mundo onde me senti realmente igual à pessoas do meu lado foi o estádio de futebol. Nem mesmo em uma igreja eu pude sentir sensação semelhante. É no meio da FIEL, que somos todos iguais. Às vezes, acho mesmo que viramos um só. Uma única pessoa, sonhando em preto e branco com a felicidade.

Autor: Celso Dario Unzelte
Fonte: Revista Fiel Torcida nº 1 - Agosto de 1999.