Saturday, December 30, 2006

ENTREVISTA COM IDÁRIO

Em que ano você começou no CORINTHIANS?
Jogava no clube do bairro, a associação atlética da vila Deodoro, no Largo Cambuci. Aí, recebi um convite para ir treinar no sams, que era a sociedade anônima moinho santista. E daí teve um jogo entre o CORINTHIANS e o sams, no Belém, pelos amadores. E nos amadores do CORINTHIANS jogavam Luizinho, Cabeção, Roberto Belangero. Aí o técnico dos amadores do CORINTHIANS, o Pietrobom, irmão do Anacleto Pietrobom, me convidou, pediu para eu fazer um teste no CORINTHIANS. Eu fui.

Você já era lateral-direito?
Já. Fui lá e marquei Colombo. Isso em 1949. Em 1950, passei a ser titular.

Em 50 você já foi campeão?
Em 50, fui campeão do Rio-São Paulo. Em 51 e 52 fui Campeão Paulista. Aí chegamos em 54.

Como era o presidente Trindade?
Era um grande presidente. Ele falava que tinha que honrar essa camisa, porque tinha muitos coitados que deixavam de pagar hospitais para vir ao jogo. Ele entrava no vestiário e dava uma senhora preleção. O Brandão dava preleção antes do jogo e, depois, era o presidente quem falava.

Por que você era chamado de “Sangue Azul”?
Porque eu tinha muita raça quando jogava. Dava o sangue.

É verdade que na final de 54 você estava com a perna machucada e escondeu o fato para poder jogar?
É. Não estava muito legal. Fiquei quieto, não falei nada para ninguém. Queria ser campeão.

Para esse jogo específico, quais foram as instruções do Brandão?
Ficamos na concentração do Tremembé quase uma semana, sem fumar, sem rádio, sem ouvir falar de jogo de futebol. Na preleção, ele falou que era tudo ou nada. Era para jogar com disposição, marcar em cima. Antigamente a marcação era homem-a-homem. Eu marcava o rodrigues e o Homero ficava na cobertura. O Alan fazia a cobertura do Goiano.

E qual foi o ponta-esquerda que lhe deu mais trabalho?
Cheguei a pegar o Zagallo, mas o mais terrível foi o canhoteiro. Era um espetáculo de jogador. Driblava bem. Os dois maiores pontas-esquerdas que vi jogar foram o canhoteiro e o Mário.

Onde você morava nessa época?
Morava na Vila Zelina. Pegava o bonde, descia na Moóca, me encontrava com o Carbone e de lá íamos para o Parque São Jorge.

Como foi aquele jogo contra o palmeiras, muito nervoso?
Foi. Nós entramos em campo com tremedeira. Depois que começou o jogo, aí passou tudo. Do vestiário para o gramado, tinha o túnel e ali era o centro nervoso. O estádio lotado, tinha gente até em cima das marquises do Pacaembu.

E dentro do gramado quem era o grande Líder do CORINTHIANS?
Era o Cláudio. Ele falava com a gente com educação, impunha respeito. Tanto dentro como fora do gramado. Foi uma grande figura humana.

Com o CORINTHIANS campeão, como foi a grande festa?
Foi um carnaval. Fomos para o Anhangabaú com a cobertura da rádio panamericana. O povo todo comemorou.

O que representa o CORINTHIANS na sua vida?
Foi tudo e ainda é. Nasci CORINTHIANO e morro CORINTHIANO. Desejo felicidades para o CORINTHIANS e que ele seja Campeão... (Idário se emociona e não consegue mais falar)

Fonte: CORINTHIANS – 1954 IV Campeão do Centenário

Ficha de Idário:
Nome: Idário Sanches PeinadoNascido em São Paulo, 07/05/1927
Posição: lateral-direito
468 jogos 6 gols
Títulos: Paulista 1951/52 e 1954 (IV Centenário de São Paulo) Rio-São Paulo 1950 e 1953/54

Filho de espanhóis, se identificou imediatamente com a FIEL. Considerado pela massa como o Deus da Raça. “Pega ele Idário, pega!” pedia a massa, e Idário ia lá e pegava, a bola ou o adversário.

Monday, December 25, 2006

PARA MATAR A SAUDADE

Vestiário do Pacaembu em festa. Ídolos de várias gerações se conhecem, se encontram, se reencontram. Lá no fundo, alheio a tudo, o técnico Osvaldo Brandão. “Não dá tchê. Não vou lá que meu coração não agüenta. Parece mentira, mas acho que nunca senti emoção igual.” Parece mentira mesmo. Afinal, o velho mestre, entre tantas outras façanhas, foi campeão do IV Centenário com o CORINTHIANS em 1954 e voltou a sê-lo, 23 anos depois, em 1977. De quebra, Brandão classificou a Seleção Brasileira para vencer a nossa primeira Copa do Mundo. Deixou ainda, o nome gravado tanto na história argentino quanto no futebol uruguaio. Em Montevidéu, por sinal, teve como diretor de futebol um tal senhor Sanguinetti, ninguém menos que o atual presidente do Uruguai. Mas Brandão não teve coragem de chegar perto para ouvir as conversas de Sócrates com Rivelino, de Domingos da Guia com Gilmar, de Wladimir com Zé Maria... Já o lendário Cláudio Cristovam Pinho, o ponta-direita que foi maestro do futebol paulista nas décadas de 40 e 50, fez tudo a que tinha direito. Jogou enquanto pôde, mostrou em comoventes lampejos do que era capaz e saiu aplaudido por uma torcida predominantemente jovem. Aí, deixou trair seu estado d’alma. Suas mãos, muito mais geladas que a linda manhã de outono paulistano, revelavam-lhe o interior. O artilheiro Teleco, que hoje cuida da sala de troféus CORINTHIANOS e que foi cinco vezes o goleador do Campeonato Paulista entre 1935 e 1943, não teve sequer a coragem de Brandão: “Desde que convidaram para esse jogo eu só faço tirá-lo de minha cbaeça. Se vocês ainda me querem vivo, não insistam”, apelava. Todos o querem vivo, é claro, e não insistiram. Com Domingos da Guia não foi preciso insistir. Ele fez questão de vir, embora, constrangido, tenha pedido que o “ajudassem nas despesas da viagem”, o que de resto, estava garantido a todos os que não morassem em São Paulo. E o grande Domingos viajou como pediu do Rio à capital paulista. De ônibus.
Assim foi com cada ídolo convidado. Honra, alegria e “ai de vocês se não me convidassem”. O lateral Wladimir, por exemplo, pagou do próprio bolso as passagens do avião que o trouxe de Belo Horizonte. Amaral, o quarto – zagueiro que joga no México, chegou ao Brasil na sexta-feira e no sábado foi até o Parque São Jorge. Estava indignado por não ter sido convidado. Foi, jogou, e muito bem.

MISTERIOSO CORINTHIANS. GRANDIOSA PAIXÃO.

Sócrates, o homem certo para a hora certa desde que seja alvinegra, se espantava. “Porque essas coisas acontecem comigo?” Ele tinha chorado enquanto ouvia o Hino e feito um gol maravilhoso, de cobertura, o único do jogo. “ Eu jamais tinha feito um assim no Brasil”, revela, sem entender também a exigência dos cavalheiros ingleses que queriam sua presença com a camisa do Corinthian-Casuals. Ou por que a torcida pedia “VOLTA DOUTOR!”. Modesto, o Magrão. E iluminado, embora confuso.

GENEROSO CORINTHIANS.

Humilde conversão.
Rivelino, o homem certo na hora errada, foi escorraçado injustamente em 1974. Voltou agora para, em mágicos 50 minutos, se reconciliar com a massa. Ou, melhor, para perdoar a massa que soube se desculpar. “Essa camisa mexe mais comigo que qualquer outra. Apesar de tudo”, confessava.

PARADOXAL CORINTHIANS. BRANCO E PRETO.

É claro que a linda manhã de céu azul desse 5 de junho não foi completa. Faltou o riso aberto de Sérgio Terpins, o homem errado na hora errada. Não há uma só palavra que console o desaparecimento desse CORINTHIANO que morreu em pleno Parque São Jorge aos 39 anos. Mas quem sabe ele tenha visto o jogo que inventou de um lugar privilegiado, confortavelmente instalado ao lado de seu amigo Flávio La Selva, ex-presidente dos Gaviões da Fiel; do jornalista José Roberto de Aquino: “Todo time tem uma torcida. No CORINTHIANS é ao contrário. É a torcida que tem um time”; e do procurador de Justiça Carlos Alberto Gouvêa Kfouri, meu pai. Quatro mosqueteiros que dariam a vida para viver essa manhã inesquecível.

Fonte: Revista Placar 10/06/1988 - Autor: Juca Kfouri

Dados do 1º amistoso entre o SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA e o Corinthian-Casuals.

Data: 05 de junho de 1988
Estádio : Pacaembu
Juiz do jogo: Dulcídio Wanderley Boschila
Gol: Sócrates 19 do 1º tempo.
Jogo disputado em dois tempos de 25 minutos cada.

Obs: Em 2001, mais precisamente em 29 de maio de 2001, na Fazendinha, ocorreu o segundo jogo entre as duas equipes. O SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA enfrentou o Corinthian-Cauals, com um time repleto de veteranos. Placar do jogo, 9 a zero pro TIMÃO. Detalhe interessante é que antes deste jogo, o time inglês acompanhou a final do Campeonato Paulista de 2001, onde o CORINTHIANS se sagrou Campeão contra o botafogo de RP.Os jogadores ficaram impressionados com a força e a festa da FIEL. E comemoraram junto com a torcida mais um título do TODO PODEROSO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA.