Wednesday, December 20, 2006

CORINTHIANS 1 x 0 São Paulo - 1990

Havia um clima de magia no ar. Desde a noite da quinta-feira, 13, havia um clima de magia no ar. Magia negra. E branca. Branca e preta. Nem bem começou o primeiro jogo da decisão, Wilson Mano, o predestinado, fez, de joelho, que vale igual a um lindo gol de bicicleta, o tento que invertia a vantagem inimiga e dava ao Corinthians o direito de jogar pelo empate. A noite era quente e a torcida corintiana fervia. Tomou conta de mais de 70% da casa do adversário e acuou o time tricolor. A noite era mágica. Tanto que não permitiu à única estrela do Timão, o meia Neto, marcar o segundo gol, embora ele tivesse três enormes chances para fazê-lo. Não, a noite tinha que ser de Mano, o curinga que, em 1988, errou um chute de fora da área e, assim, permitiu que Viola fizesse o gol do 20º título paulista do Corinthians, em Campinas, contra o Guarani. Pois Mano abria o caminho para o primeiro título brasileiro do clube. Havia um clima de magia no ar. Terminado o jogo, a quente noite da quinta-feira se transformou. Relâmpagos cortaram o céu do Morumbi e, de trovão em trovão, a chuva torrencial desabou. Tupã, o deus da chuva, dava o ar de sua graça. A sexta-feira foi feia, cinzenta e quase fria na capital paulista. Assim mesmo os corintianos faziam filas intermináveis para ocupar a casa alheia no dia da decisão. O sábado não foi diferente. Mas no domingo... No domingo havia um clima de magia no ar. O amanhecer foi ensolarado. São Paulo não era São Paulo. Era Corinthians. Com televisionamento direto e tudo, 85 mil corintianos tomaram o Morumbi, espremendo 15 mil tricolores em três gomos do estádio. No primeiro tempo o São Paulo dominou o jogo, mas não teve nenhuma chance de gol. O 0 x 0 era tudo que o Corinthians precisava. Mas era pouco. Aos 9 minutos do segundo tempo, a magia se materializou numa tabelinha histórica entre Tupãzinho e Fabinho, com direito a bola por baixo das pernas do zagueiro Ivan.
O gol foi chorado como devem ser os gols inesquecíveis da nação corintiana. Tupãzinho encerrou 19 anos de abstinência nacional. Como na noite da quinta-feira, Tupã comandou um enlouquecedor espocar de rojões. Pela primeira vez, os representantes do Brasil na Libertadores serão os dois clubes mais populares do país, pois o Flamengo, campeão da Copa do Brasil, será o parceiro do Timão. Com 32 pontos ganhos, ninguém somou mais que o time cujos segredos estão fora de campo: o moderno técnico Nelsinho e a antiga fiel torcida. Com o treinador, a equipe aprendeu a não dar um centímetro ao adversário e ganhou autoconfiança. Da massa, os jogadores souberam tirar a energia de que nem mesmo supercraques como Rivelino e Sócrates foram capazes para ganhar um Brasileiro. Aliás, nada mais parecido com a torcida do que esse time do Corinthians. A tal ponto que o novo deus Tupã era o anão do jogo, o mais baixinho, com seu miúdo 1,69 metro. Agora é sonhar com Tóquio. É ganhar o mundo. Impossível prever o que poderá acontecer neste dia. Previsões, por sinal, só mais uma e a curto prazo: Marlene Matheus será a primeira presidenta de um grande clube de futebol. Só tinha que ser no Corinthians, o campeão brasileiro de 1990.

16/12/90 - Morumbi (São Paulo)
CORINTHIANS 1 X 0 SÃO PAULO

Juiz: Edmundo Lima Filho (SP);
Renda: Cr$ 106 347 700; P: 100 858;
Gol: Tupãzinho 9 do 2º;
CA: Flávio, Márcio e Jacenir; E: Bernardo e Wilson Mano 15 do 2º.

CORINTHIANS: Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Tupãzinho e Neto (Ezequiel); Fabinho e Mauro (Paulo Sérgio).
T: Nelsinho Baptista

SÃO PAULO: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí (Marcelo); Mário Tilico (Zé Teodoro), Eliel e Elivélton.
T: Telê Santana

Autor: Juca Kfouri.

Oração de um poeta do povo

Dom Paulo,
No momento em que a Fiel Torcida comemora a conquista do vigésimo título de campeão paulista, tenho a honra de lhe enviar um poema que corresponde a uma página do meu modesto trabalho "Corinthians em Poesia".
Peço que o senhor perdoe o fato de eu não estar usando o tratamento compatível com as elevadas funções exercidas pelo senhor, mas isto não é uma carta, é um simples bilhete, escrito de corintiano para corintiano, o que equivale a dizer: "de coração para coração".
Como alguns amigos católicos criticaram, achando que eu não deveria misturar esporte com religião, gostaria muito de saber sua opinião a respeito, pelo que ficarei muito grato.Com muito carinho e respeito,

Alonso A. Nápoles.


Vasculhando o baú de lembranças, caiu-me nas mãos o singelo e elegante quadro impresso em cartolina e letra artística, efetiado com o distintivo do nosso glorioso time, que seu gentil autor, Alonso de Athayde Nápoles, me enviou, contendo a bela oração que desejo partilhar com meus leitores. Veio de Cubatão, com bilhete de próprio punho, datado de 8 de Agosto de 1988:

A Última Oração

Ó Grande Deus, Senhor do Universo!
Agora que se aproxima o fim da estrada,
Agradeço a tudo o que por mim fizeste,
Pelos favores que me concedeste,
Para amenizar a árdua caminhada.
Obrigado, Senhor, por teres permitido
Que um raio da excelsa luz que de Ti emana
Invadisse meu coração desde o primeiro alento,
Não se afastando dele um único momento,
Mantendo acesa em meu peito a chama corintiana.
Foi esse o maior de todos os favores,
Porque essa luz sagrada e tão querida,
Merecedora de todos os louvores,
Símbolo do amor maior entre os amores
Iluminou, guiou, meus passos durante toda a vida.
E, se me for concedido um último desejo,
Submetido, afinal, ao Teu juízo egrégio,
Que eu tenha lucidez para enaltecer Tua glória
E, no velho peito, um forte brado de vitória
Para merecer o derradeiro privilégio,
De poder gritar pela última vez: Corinthians!


Alonso ainda teve a delicadeza de dedicar o quadro com estas palavras:

A dom Paulo Evaristo, querido Pastor de todos os paulistas, com muita emoção, oferece o autor,
A. A. Nápoles.


FONTE: Dom Paulo Evaristo Arns, "Corintiano Graças a Deus!"

Tuesday, December 19, 2006

O Ataque dos 100 Gols

O título do IV Centenário da cidade de São Paulo (1954), decidido no ínicio de 1955, é muito lembrado por causa do grande esquadrão que o CORINTHIANS possuía e que encantava a torcida com um futebol empolgante.

Porém, vale lembrar que a base desse time foi formada alguns anos antes, no final da década de 40 e mostrou todo o seu potencial na conquista do bicampeonato de 1951/1952.

E foi justamente no ano de 1951 que o alvinegro do Parque São Jorge atingiu a excepcional marca dos 103 gols marcados em um campeonato, sendo o primeiro clube a conseguir tal proeza no regime profissional.

Por causa desse feito, o ataque CORINTHIANO ficou conhecido como o “ATAQUE DOS 100 GOLS”.

O legendário ataque do CORINTHIANS era formado por Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário. O autor do centésimo gol foi Carbone, que terminou o campeonato de 1951 como artilheiro, com 30 gols.

Participaram da campanha vitoriosa os seguintes jogadores: Cabeção (Gilmar); Homero (Murilo) e Rosalén (Alfedo); Idário, Cicia (Touguinha/Lorena) e Julião (Roberto/ Sula); Cláudio (Jackson), Luisinho, Baltazar (Nardo), Carbone e Nelsinho (Mário/ Colombo).

O CORINTHIANS disputou 28 jogos, sendo 24 vitórias, dois empates e duas derrotas. Sua defesa sofreu 37 gols.

Artilheiros de 1951

Jogador / Gols

Carbone 30
Baltazar 25
Cláudio 18
Luisinho 13
Jackson 09
Nelsinho 02
Colombo 02
Mário 01
Sula 01
Idário 01
Roberto 01

Fonte: CORINTHIANS em Revista nº 11 outubro de 1994

Tri-campeonato, com invasão à cidade de Santos...

O Corinthians fazia boa campanha, tendo nos seus calcanhares o Santos. No dia 4 de janeiro de 1931, os dois se encontraram, como mandavam a tabela, para decidir o campeonato. Nos pontos, a vantagem é do Corinthians, que tinha dois a mais. Mas o jogo seria na Vila Belmiro, onde o Santos alcançava bons resultados.

Para aprimorar ainda mais seus jogadores, o time da Baixada se concentrou durante uma semana em uma chácara; os alvinegros da Capital só alteraram sua rotina ao viajar para Santos na véspera do jogo - e não no dia, como acontecera em outras ocasiões. O jogo foi cercado de enorme expectativa.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo cerca de mil carros, particulares e de aluguel, viajaram para Santos. Da Estação da Luz, partiram na tarde de sábado e na manhã de domingo vários trens repletos de corinthianos.

O cronista do Estadão descreveu assim aquela tarde: "Por volta das 13 horas, não havia lugar disponível nas archibancadas e geraes. Os espectadores, de roupas claras, suavam por todos os póros. Leques improvisados, cartões, jornaes, lenços. Não havia etiqueta. E os mais desembaraçados ficaram em mangas de camisa."

Logo no segundo minuto de jogo, Feitiço fez 1 a 0, deixando a impressão de que o Santos venceria com facilidade. Pura impressão. Aos 20, Gambinha empatava e, aos 27, ainda do primeiro tempo, Filó colocava o Timão na frente.

Dominando totalmente o seu adversário, o Corinthians foi tocando o jogo. Os pontas Filó, de um lado, e De Maria de outro, infernzaram a vida da confusa e assustado defesa santista. O cronista do Estadão se espantou com a facilidade com que agiam os jogadores corinthianos que não pareciam sentir o calor que ele classificava de "senegalesco". Já o time do Santos foi tachado por ele de apático.

Assim aos 14 minutos do segundo tempo, De Maria fez o terceiro gol; dois minutos depois Gambinha fazia 4 a 1. "O tiro de misericórdia", no texto do mesmo cronista, veio através de Napoli, aos 27 minutos: 5 a 1. Quando faltavam cinco minutos para terminar, Victor fez o segundo gol do Santos, recebido com total frieza por seus companheiros e torcedores.

Estava escrita mais uma página na notável história corinthiana. Fechava-se mais um tricampeonato.

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SANTOS 2x5 CORINTHIANS
Campeonato Paulista 1930


Data: 4 de janeiro de 1931
Estádio: Vila Belmiro
Árbitro: Victorino Sylvestre
Público: 20 mil

Corinthians: Tuffy; Grané e Del Debbio; Leone, Guimarães e Munhoz; Filó, Napoli, Gambinha, Rato e De Maria
Técnico: Virgilio Montarini

gols: Gambinha (2), Filó, De Maria e Napoli (SCCP) e Feitiço e Victor (SFC)

Monday, December 18, 2006

"com o pé, com a mão, o Corinthians é campeão!"

Ano de Copa do Mundo, 1938 teve o Campeonato Paulista interrompido entre março e outubro. A final do Paulistão daquele ano foi inusitada: contra o São Paulo, e bastava o empate para conquistar o título. No domingo, 23 de abril de 1939, o São Paulo vencia por 1 a 0 até os 21 minutos do primeiro tempo, quando um temporal impediu a seqüência do jogo. A continuação foi marcada para terça-feira no Parque São Jorge com portões abertos, e o Corinthians teve tempo para empatar com um gol de Carlito (o Turco) que muita gente diz que foi com a mão.

Como a torcida do São Paulo reclamou muito, os torcedores corinthianos passaram a responder: "com o pé, com a mão, o Corinthians é campeão!"

Era a conquista do décimo título estadual e do terceiro bi-campeonato do Corinthians.

CORINTHIANS 1x1 SÃO PAULO
Campeonato Paulista 1938

Datas: Domingo, 23, e terça-feira, 25/abril/1939
Estádio: Parque São Jorge
Árbitro: Thomaz dos Reis Cardoso de Almeida
Renda: 66 contos e 445 mil réis

Corinthians: Barcheta; Jango e Carlos; Tião, Brandão e Sebastião; Lopes, Servílio, Teleco, Carlito e Carlinhos
Técnico: Armando Del Debbio

gols: Mendes (SPFC) e Carlito (SCCP)