Friday, December 15, 2006

Corinthians, com s e com h

Miguel Bataglia não era um homem habilidoso apenas com as mãos. Era uma pessoa que sabia ouvir. Entre agulhas, linhas, tesouras e botões, o alfaiate era uma espécie de unanimidade no bairro do Bom Retiro. Fumante inveterado, magro, adorava ver esportes em geral. Praticar, nem pensar. Sua alfaiataria era um ponto de encontro e lá se ouvia de tudo. Desde fofocas maldosas sobre essa ou aquela senhora de aparência tão honesta, até as intermináveis polêmicas sobre os jogos de futebol que reuniam a fina flor da sociedade em clubes como o Paulistano e o Mackenzie.

Foi numa dessas conversas que Bataglia soube da idéia alimentada pelo grupo de operários, uma idéia então já mais avançada. O clube se chamaria Santos Dumont ou Carlos Gomes, e era preciso um bom dinheiro para arrendar um terreno perto do ponto final do bonde do Bom Retiro. O alfaiate tinha sido escolhido para arcar com o aluguel. Teria, como compensação, a honra de ser o primeiro presidente do clube.

Na noite do dia 1º de Setembro de 1910, um grupo já ampliado resolveu plantar a semente que, graças às peripécias que a equipe inglesa do Corinthian Football Club acabara de aprontar em vitoriosa excursão pelo eixo Rio-São Paulo, recebeu o nome de Sport Club Corinthians Paulista, agregando um sutil s ao nome inglês, que surgira em homenagem à cidade grega de Corinto.

Se o s entrou como, digamos, contrabando, duro foi manter o h, que boa parte da imprensa teimou em suprir até tempos mais recentes, modernismo superado hoje em dia. Nomes são nomes e devem ser respeitados em sua grafia original. Ainda mais esse nome.

Thursday, December 14, 2006

Ainda em 1977

A festa do título de 1977 tinha sido alguma coisa jamais vista. O país inteiro saiu às ruas para comemorar a conquista que tardara mas não falhara. Valia tudo. A massa ensandecida tinha um só refrão: "Corinthians campeão, pau no cu do meu patrão!" Porque no dia seguinte, ninguém foi trabalhar...
Corinthiano é assim mesmo. Quando o alvinegro ganha, até o mais alienado dos cidadãos percebe que alguma coisa realmente importante aconteceu.
Foi assim também, por exemplo, em 1968, quando o Corinthians quebrou um tabu de 11 anos sem vitórias contra o Santos de Pelé no Campeonato Paulista. O Rei nega, mas certamente ele sempre foi ao menos um corinthiano pelo avesso, tanto que escolheu o Corinthians para ser o time contra quem mais vezes marcou, nada menos que 49 gols em 41 jogos. Daí aquela vitória na noite de 6 de março de 1968 ter um gosto especial. Pelé estava em campo e o Pacaembu, lotado. Paulo Borges, o Risadinha, rapidíssimo atacante que viera do Bangu, e Flávio, o Minuano, artilheiro trazido do Internacional gaúcho, fizeram os gols da vitória de 2 a 0.
Quebrada a maldição, partida encerrada, a torcida foi em passeata até o Parque São Jorge e, ironia das ironias, cantava feliz: "Um, dois, três, o Santos é freguês!" Quem via, não acreditava, olhos postos no passado. Só que, muito mais que uma gozação, o bordão era um vaticínio, típico de quem olha para frente, para o futuro. Porque daí pra frente, o Santos virou freguês mesmo.
Mas voltemos a 1977. Corinthians e Ponte Preta fariam dois ou três jogos para decidir o campeonato. No primeiro, o Mineiro Palhinha, que viera do Cruzeiro, fez um gol literalmente com a cara e a coragem, no rebote de uma defesa do goleiro campineiro Carlos, e o Timão ganhou de 1 a 0. Estava tudo pronto para a festa que deveria acontecer no domingo seguinte.
Morumbi lotado por mais de 140 mil corinthianos, recorde que jamais será batido nesse estádio. Vaguinho, outro mineiro, este vindo do Atlético, faz 1 a 0 para o Corinthians. Ele havia acabado de entrar no lugar de Palhinha, desgraçadamente machucado no começo do jogo. A Ponte vira para 2 a 1 e adia a festa. Nunca o Morumbi se parecera tanto com o Maracanã de 1950. Mas tinha o terceiro jogo. Na segunda-feira, em clima de velório e tensão no Parque São Jorge, o técnico Osvaldo Brandão vai ao departamento médico para verificar o estado de Palhinha e o encontra já de saída após ter feito tratamento. "Como é, Palha, dá pra jogar?", pergunta o velho mestre. "Acho que não, seu Brandão. Dói até pra andar", responde o craque. "Se dá pra andar, dá pra jogar. Pior é minha dor, que não consegue nem levantar da cama, Palha", replicou Brandão, cujo filho, paixão da sua vida, se encontrava em estado terminal, tomado por um câncer.
Palhinha, de fato, não conseguiu entrar em campo para a finalíssima. Mas o que ele jogou a partir daquele momento para que o time fosse campeão ficou registrado como um dos momentos mais comoventes e grandiosos da história do futebol. Ele conseguiu contagiar a equipe inteira com o relato da cena que vivera com Brandão e tirou de cada um a promessa que o título viria e seria dedicado ao pai e ao filho, que logo depois, faleceu.
O título veio, como ninguém na face da terra desconhece. E reabriu uma série de outras festas. A do título de 1977 foi tão intensa que a nação alvinegra passou 1978 de ressaca, nem aí para as demais competições em que o time participava por mera obrigação. O importante não era participar, nem competir. O importante era festejar, sabe-se hoje à luz do tempo.

Juca Kfouri, Corinthians Paixão e Glória.

Wednesday, December 13, 2006

Sócrates Corinthiano

"Virei corinthiano jogando pelo Corinthians, e é evidente que a nossa Democracia Corinthiana teve a ver com isso. Não era só eu, era a democracia que estava em jogo, éramos nós contra o resto. A tal ponto que fomos bicampeões paulistas em 1982-1983 com um time inferior ao do São Paulo. Podíamos ter perdido, mas era difícil perder. Porque quando você junta dois amantes não tem quem destrua isso. Ainda mais amantes no auge da paixão. Aquele negócio que a gente tinha era paixão pura. E criamos uma comunidade ali, não havia concorrentes, como em qualquer time onde há os que jogam e os que não jogam. Nunca ninguém viveu isso. Cada um a seu modo, todos sentem saudades daquela verdadeira irmandade que se criou.

Ali nós juntamos tudo. A fome com a vontade de comer. A necessidade com a sensibilidade e a ideologia. E tudo era votado. Perdi e ganhei mil vezes, e até para trazer o Leão a gente votou. A maioria concordava que aquele era um cara difícil, mas prevaleceu que era um senhor goleiro. Foi á única pessoa que me ouviu dizer, cara a cara: "Você é um filho da puta, tá querendo me sacanear". Ficou com ar de vítima, mas depois jogou pra cacete. Sem ele não teríamos ganho o bicampeonato.

Para sintetizar, se é que é possível sintetizar, eu sei que nunca vivi nada parecido. Eu nunca me senti tão à vontade em qualquer ambiente como naqueles dois anos da Democracia Corinthiana. Foi uma coisa especial, o sonho que todo mundo tem.

Sabe aquela coisa de estar apaixonado o tempo todo? É lindo, pô!"

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, em "Paixão e Glória", de Juca Kfouri.

Tuesday, December 12, 2006

O primeiro ídolo

Raça, espírito de luta, tiro seco, certeiro e à meia-altura, suor, sangue, lagrima, era Neco em campo, vestido com os companheiros. Neco jamais admitia ver a bandeira do Coríntians mesclada com uma derrota.

Neco foi sem dúvida o primeiro ídolo do Coríntians. O líder que não se conformava em ver sua equipe derrotada em campo. Um temperamental capaz de brigar até mesmo com os companheiros. Neco jamais admitia ver a bandeira do Coríntians mesclada com uma derrota. Qualquer minuto antes do tempo final, para Neco era minuto de jogo que poderia levar o Coríntians a goleada, á virada no marcador, ou mesmo à igualdade.

Inúmeros foram os clubes que tentaram levar o futebol de Neco. Mas o maior ídolo do Coríntians se negou a deixar o clube para o qual devotava um grande amor. Neco não deixava o Coríntians por nada: "Se o fizesse, estaria vendendo o meu amor. Que homem pode fazer isso"? - perguntava Manuel Nunes, o Grande Neco.

Foram 18 anos de dedicação ao Coríntians desde um dia em 1913, quando chegou para treinar, pedindo para chutar aquela bola de capão, oficial, quando o campo de seu futuro time ainda se localizava na Rua José Paulino. Um dia Neco teve que parar. Seu último chute foi no campo do Parque São Jorge, um dia em 1930.

Neco deve ter olhado para trás e imaginado os chutes, os gols marcados, a briga pela posse da bola, os gritos perdidos no ar, o suor derramado, os títulos que conquistou. Neco disse adeus às 11 camisas brancas. Ele saiu de campo pensando que tudo teria se acabado ali. Mas Neco não saiu. Ele deixou apenas seu lugar para que outros pudessem honrar aquela camisa que ele tanto amou. Ele deixou o campo de jogo e hoje está nos jardins do Parque São Jorge, olhando para o grande portão de entrada, em estátua de bronze, que foi a primeira dedicada a um jogador de futebol. Neco ainda está no Coríntians. Ele ficou para sempre.


Publicado na Folha de S.Paulo, domingo, 5 de dezembro de 1976

A história do Sport Club Corinthians Paulista

1910 - 1912 — Um time do povo para o povo

Sob a luz romântica de um lampião a gás no bairro paulistano do Bom Retiro, cinco operários conversam sobre a possibilidade de criar um novo clube de futebol. Eles estavam extasiados com o jogo de um time inglês chamado Corinthian que andava dando show no Brasil. Venceu o poderoso Paulistano por 5 x 2 e o Fluminense por 8 x 0. Por que não ter um "scratch" como aquele, mesmo que fosse só no nome? A idéia se concretizaria dias depois, numa barbearia da região. As atas das primeiras reuniões foram escritas a lápis, em papel de embrulhar pão, e se perderam com o tempo. Mas os relatos orais dos primeiros corintianos não deixam dúvidas: o Sport Club Corinthians Paulista foi mesmo fundado, já com este nome, no dia 1º de setembro de 1910.

O passo seguinte foi comprar uma bola e conseguir um local para jogar. Um terreno na Rua José Paulino, que, antes, servia como depósito de lenha, foi o escolhido (e por causa disso ganhou o apelido de "Lenheiro"). Capinado pelos próprios jogadores, ele foi inaugurado com um treino que teve Rafael Perrone como capitão do time A e Anselmo Correia, goleiro e capitão do time B.

O primeiro jogo para valer só aconteceria dias depois, em 10 de setembro. Com Valente, Perrone e Atílio; Lepre, Alfredo e Police; João da Silva, Jorge Campbell, Luiz Fabi, Cézar Nunes e Joaquim Ambrósio, o Timão entra em campo contra o União Lapa, vestido de bege e preto. Assim como o nome do clube, as cores do uniforme também vinham do Corinthians inglês. Mas tanta inspiração britânica não garantiu um bom resultado na estréia. Derrota por 1 x 0.

No jogo seguinte, 2 x 0 sobre o Estrela Polar, Luiz Fabi entra para a história ao marcar o primeiro gol do clube (ele marcaria o segundo também). Já no terceiro "match", a primeira goleada: 5 x 0 na Associação Atlética da Lapa. O Corinthians se firmava como um dos melhores times da várzea paulista, onde já despontava o belo futebol do garoto Neco. Com 17 anos, ele atuava apenas no segundo quadro (um elenco de menor importância que o time principal), mas não precisaria de muito tempo para ser titular e se transformar num dos maiores ídolos da história do Timão.

Só que os campinhos lamacentos estavam pequenos demais para as pretensões corintianas. O negócio era jogar no Velódromo Paulista, o grande estádio da época, que pertencia ao Paulistano e ficava na Rua da Consolação. Ora, por que não? Por que não encarar de igual para igual o Paulistano, o Mackenzie e Associação Atlética das Palmeiras, os clubes da elite, dos estudantes bem de vida?

1913 - 1921 — Entre os primeiros

Em 1913, a grande chance de estar no meio dos grandes aparece: o São Paulo Athletic, primeiro campeão paulista da história, desiste de disputar campeonatos de futebol, deixando uma vaga na Liga Paulista, a rival da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) na realização dos dois campeonatos estaduais que existiam na época. Para conquistar a vaga, o Corinthians precisaria vencer o Minas Gerais, do bairro do Brás. Se passasse, teria ainda de enfrentar na decisão o São Paulo Railway ou o São Paulo do Bixiga, os dois outros candidatos. O Timão não só bateu o Minas Gerais (1 x 0) como surrou o São Paulo do Bixiga (4 x 0). Conquistava, assim, seu lugar ao sol no Campeonato Paulista. Os heróis daquela jornada: Casemiro do Amaral, Fúlvio e Casemiro González; Police, Alfredo e Lepre; Cézar Nunes, Peres, Luiz Fabi, Rodrigues e Campanella.

Mais do que o quarto lugar entre cinco concorrentes no primeiro Paulista, a experiência valeu para revelar dois futuros ídolos: Neco, que defenderia a camisa alvinegra até 1930, um verdadeiro recorde de permanência no clube; e Amílcar Barbuy, centroavante e centro-médio das Seleções Paulista e Brasileira. Com eles no time, o Corinthians enfrentaria adversários estrangeiros de igual para igual e chegaria ao seu primeiro título, invicto, em 1914. Repetiria a dose, também sem derrotas, em 1916. Só não foi campeão em 1915 porque, de olho em uma vaga no campeonato da APEA (que dava mais prestígio), o clube resolveu abandonar a Liga. Quando pensou em voltar atrás, era tarde demais. Resultado: sem ter onde jogar, os melhores craques foram emprestados e o resto da equipe passou a temporada fazendo amistosos no interior.

Em 1917, o Paulistão é unificado, reunindo em uma mesma competição o chamado "Trio de Ferro" da capital: Corinthians, Palestra Itália e Paulistano. Este é também o ano do primeiro encontro do Corinthians com seu rival mais tradicional, o Palmeiras (que ainda se chamava Palestra Itália). Foi desastroso: 3 x 0 para os palestrinos. Nos anos seguintes, um longo período de vacas magras. Nada de título. Mas a essa altura, com o destino traçado, o Corinthians já figurava "entre os primeiros do nosso esporte bretão", como diz a letra do seu hino. Em 1918, ano da estréia em confrontos fora do Estado, o clube constrói o seu primeiro estádio. Os próprios atletas botaram a mão na massa para erguer o Campo da Ponte Grande, que ficava no bairro da Ponte Grande, perto do atual Canindé, estádio da Portuguesa de Desportos.

1922 - 1930 — A década é do Timão

Os anos foram gloriosos entre 1922 e 1930. Dos nove Campeonatos Paulistas disputados no período, o time faturou seis, sendo dois tricampeonatos. O título mais importante foi o de 1922. Primeiro, porque, naquele ano, comemorava-se o centenário da Independência do Brasil. Segundo, porque a taça foi conquistada contra o poderoso Clube Atlético Paulistano, o time da elite, espécie de antítese corintiana naquele início de século. Entre os heróis de 1922, o maior deles é o zagueiro Armando Del Debbio, que, ao lado de Tuffy e de Grené, formaria a legendária zaga do tri de 1928, 1929 e 1930. Destaque também para o meia-esquerda Tatu, autor de um dos gols do título; para o atacante Gambarotta; e para os já consagrados Neco e Amílcar.

Bi em 1923, tri em 1924, sempre mantendo a mesma base, o clube se lança a uma aventura em 1926. Troca o campo da Ponte Grande pelo do Parque São Jorge. A nova casa deu uma sorte tremenda, e as taças não pararam de chegar. Corinthians Tricampeão Paulista pela segunda vez na década: 1928, 1929 (invicto) e 1930. A base do time quase não mudou nas três conquistas: Tuffy, Grané e Del Debbio; Nerino, Guimarães e Munhoz; Filó, Apparício, Neco, Rato e De Maria.

1931 - 1934 — Enfim, o profissionalismo

Em 1931, o Corinthians sofre um duro golpe: de uma só vez, Del Debbio, Filó, Rato e De Maria vão para a Itália defender a Lazio de Roma. Em seu lugar, ficam substitutos de pouca ou nenhuma expressão. É o início da crise que se agravaria dois anos depois. Tempos de nomes como Chola, Boulanger, Gallet. E de goleadas humilhantes para o Palestra (0 x 8), para o Santos (0 x 6) e para o São Paulo (1 x 6) - todas no mesmo campeonato, o de 1931. A torcida, inconformada, põe fogo na sede do clube, e a diretoria em peso pede demissão.

Mas os ventos do profissionalismo - que, oficialmente, começa no Brasil em 1933 - também sopraram para os lados do parque São Jorge. Entre 1933 e 1934, o uruguaio Pedro Mazzulo é contratado para ser o primeiro técnico do clube. Nesse período, surgem mais dois nomes que viriam a fazer parte da história do Timão: Zuza e Teleco, os dois centroavantes, os dois goleadores endiabrados.

1935 - 1939 — A primeira redenção

Eis um período de grandes decepções. No Paulista de 1935, o time perde o título para o Santos em pleno Parque São Jorge. Tem coisa pior? Tem: deixar o troféu do ano seguinte escorregar pelos vãos dos dedos justamente diante do arquiinimigo Palestra Itália. O Corinthians havia vencido o primeiro turno e mantinha uma invencibilidade de 36 jogos. Mas na melhor de três, o Palestra levou a melhor: 1 x 0, 0 x 0 e 2 x 1.

Mas 1937 é o ano da redenção. O time ganha seu primeiro título profissional, com o zagueiro Jaú (futuro titular do Brasil na Copa do Mundo de 1938) na defesa, o clássico José Augusto Brandão no meio-campo, o veterano Filó (de volta da Itália) e o infernal goleador Teleco no ataque. Na presidência do clube, um espanhol apaixonado: Manoel Correcher. Essa é também a base do time bicampeão invicto em 1938, acrescida do baiano Servílio de Jesus, chamado "O Bailarino", que parecia dançar com a bola nos pés. Nesse ano, a final teve que ser realizada em dois dias. No domingo, a chuva interrompeu a partida que o São Paulo vencia por 1 x 0. Na terça-feira, disputaram-se os minutos finais da primeira etapa e todo o segundo tempo. O Corinthians chegou ao empate com um gol de Carlito - juram os são-paulinos que marcado com a mão - e ficou com a taça.
No ano seguinte, 1939, uma glória que nenhum outro clube conseguiu igualar até hoje: o Corinthians é tricampeão paulista pela terceira vez.

1941 - 1950 — Tempos de jejum

Em 1941, o Corinthians só não é campeão invicto por conta de um escorregão, na última rodada, contra o Palestra. De resto, foi um triunfo total. O time era ótimo, e a linha média Jango, Brandão e Dino, impecável. Nos anos seguintes, no entanto, o time vai perdendo seu poderio técnico, ao mesmo tempo em que o São Paulo de Leônidas da Silva surge como força emergente. O título de 1941 seria, por longos e sofridos dez anos, a primeira e única festa corintiana no recém-inaugurado estádio do Pacaembu.
Durante esse tempo, não faltaram contratações bombásticas, como a do veterano zagueiro Domingos da Guia, de 32 anos, em 1944. Nem de goleadores, como Milani e Hércules.

Entre 1942 e 1950, o Corinthians foi vice-campeão nada menos que cinco vezes, sendo três delas seguidas. Ganhou quatro vezes a Taça São Paulo (em 1942, 1943, 1947 e 1948), torneio que reunia os três primeiros colocados do ano anterior. Mas o título paulista, que era bom, necas. A situação só começa a mudar a partir de 1949, quando uma fornada de pratas-da-casa buriladas pelo técnico Rato (o mesmo Rato campeão como jogador nos anos 20) chega ao time principal. Com o goleiro Cabeção, o lateral Idário e o meia Luizinho na equipe, o Corinthians conquista o Torneio Rio-São Paulo de 1950.

51- 55 — O melhor Corinthians de todos os tempos?

Aqui começa a campanha do fim do jejum. E em grande estilo: em 1951, o clube joga a sua primeira partida internacional. No Estádio Centenário, de Montevidéu, no Uruguai, surra um Combinado Uruguaio por 4 x 1. No ano seguinte, pelo Campeonato Paulista, o ataque formado por Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário assinala 103 gols em apenas 28 jogos - quase quatro por partida! Pela primeira vez no profissionalismo uma equipe alcançava a marca centenária.

O Corinthians era um timaço. No gol, estava Gilmar dos Santos Neves, futuro campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1958 e até hoje reconhecido como o melhor brasileiro na posição em todos os tempos. Curiosamente, ele tinha vindo do Jabaquara, como contra-peso de uma negociação envolvendo o médio Ciciá. Gilmar se consagrou, Ciciá sumiu na poeira do tempo.

Os companheiros de defesa de Gilmar eram Homero, um zagueiro sério, vindo do Ypiranga, e Olavo, ex-Portuguesa Santista, tão seguro quanto regular, um dos recordistas em partidas seguidas com a camisa do Corinthians. Pelo lado direito da defesa ficava um filho de espanhóis que compensava a falta de técnica com muita vontade e, por isso, era idolatrado pela torcida: Idário. Pela esquerda, Antônio Julião, um beque duro que, de vez em quando, atingia a bola. O centro-médio era o clássico Roberto Belangero, uma cria da casa, que só jogava de cabeça erguida, elegante, soberano.

Mas era na linha de frente, à época ainda formada com cinco homens, que aquele Corinthians se destacava. Cláudio, o ponta-direita, era chamado "O Gerente", o dono do time, dentro e fora de campo. Exímio cobrador de faltas e pênaltis, cansou-se de colocar a bola milimetricamente na cabeça do centroavante Baltazar. Este tinha nas cabeçadas fenomenais o seu ponto forte, que o levou a participar da Seleção Brasileira nas Copas de 1950 e 1954.

Pela meia-direita, Luizinho era um artista. Jamais perdia a oportunidade de valorizar o espetáculo dando um drible a mais. Rodolfo Carbone, o camisa 10, teve curta porém marcante passagem como titular da equipe. Pela esquerda, o carioca Mário, outro malabarista, de quem se dizia nunca - ou quase nunca - ter marcado um gol. Preferia o drible à conclusão.

Com a entrada de Goiano no lugar de Julião ou as substituições de Carbone e Mário por Rafael e Simão, este foi, para muitos, o maior Corinthians de todos os tempos. O compositor Alfredo Borba fez até uma marchinha para celebrar a equipe.

Tendo como presidente o folclórico Alfredo Ignácio Trindade e como técnicos primeiro Rato (na campanha do bi de 1951 e 1952) e depois Oswaldo Brandão, esses homens conquistaram tudo o que lhes era possível conquistar: três Campeonatos Paulistas, em 1951, 1952 e 1954; três Torneios Rio-São Paulo (para os clubes, o máximo que havia em conquistas nacionais até então), em 1950, 1953 e 1954; a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela, em 1953; o Torneio Internacional Charles Miller, em 1955; além de uma excursão vitoriosa à Europa em 1952.

1956 - 1961 — Começa a agonia

Entre 6 de fevereiro de 1955 (data da final do campeonato de 1954, contra o Palmeiras) e 13 de outubro de 1977 (noite da decisão do campeonato daquele ano, contra a Ponte Preta), a torcida corintiana não festejou nenhum título digno de nota.

Na medida que o Santos se transformava no "Santos de Pelé", o desespero corintiano só aumentava. Só contra o time da Vila Belmiro, foram onze anos sem vitória em jogos de Campeonato Paulista, entre novembro de 1957 e março de 1968. No começo ninguém notava. Em 1957, o time chegou a conquistar definitivamente a Taça dos Invictos em um heróico 3 x 3 contra o próprio Santos, justamente na primeira partida que deu início ao tabu. Depois virou o fio e o clube perdeu justamente as duas únicas partidas do campeonato que não podia: para o Santos, na penúltima rodada, 1 x 0; e para o São Paulo, na última, 1 x 3. De líder absoluto, terminou em terceiro. Nem o grande Gilmar dos Santos Neves livrou a cara do Timão.

De tanto colecionar decepções, em 1961, depois de uma campanha horrorosa, o Corinthians chega a ser chamado de "Faz-me Rir". Não à toa, nesse período nenhum jogador se destaca. O brilho é disputado nos bastidores, numa contenda em que os grupos do lendário Vicente Mateus e de Wadi Helou se engalfinham pelo poder.

1962 - 1976 — O martírio parece não ter fim

Nem mesmo o aparecimento do craque Rivellino, em 1965, foi capaz de devolver a tranqüilidade ao Parque São Jorge. Quanto mais o tempo passava, mais o drama corintiano ia tomando contornos épicos. Tentou-se até a contratação de Garrincha em fim de carreira. Àquela altura já consumido pela bebida e com 32 anos de idade, o Anjo das Pernas Tortas não tinha mais a mínima condição de fazer a alegria do povo corintiano. Ele esteve na conquista do Rio-São Paulo, é verdade. Mas foi um título tão chocho... A torcida queria um título de verdade, para comemorar sozinha e não junto com três rivais. Para todos os efeitos, apesar da taça, o Timão continuava na fila.

Em 1969, um ano depois de quebrado o incômodo tabu contra o Santos (e contra Pelé), o time liderava o Campeonato Paulista. Havia chances reais de afogar aquele martírio de uma vez por todas. Mas a morte de lateral Lidu e do ponta-esquerda Eduardo num acidente de carro abala a equipe, e as esperanças viram fumaça.
A mesma e triste toada marca o início dos anos 70. Em 1974, quando o clube finalmente vai a uma final (a do Paulista, como campeão do primeiro turno), a chance é desperdiçada. Palmeiras 1 x 0, no Morumbi.

À essa altura, Rivellino já era campeão do mundo com a Seleção Brasileira, craque incontestável, ídolo de um garotinho argentino de 10 anos chamado Diego Armando Maradona. Mas a torcida perdera a paciência e queria ver cabeças rolando. Para salvar o pescoço, o presidente Vicente Matheus escolhe Rivellino, o grande camisa 10 corintiano, como o bode-expiatório da eterna má fase. Matheus acusa o jogador de fazer corpo mole na final do Paulista de 1974. Rivellino acaba vendido para o Fluminense.

No Campeonato Brasileiro de 1976 há, de novo, uma esperança no ar. O time ainda é limitado, com poucas ou quase nenhuma estrela. Mas a Fiel acredita. Viaja os 400 quilômetros que separam as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e divide o Maracanã com a torcida do Fluminense. Naquela semifinal, era a máquina tricolor (Rivellino, Carlos Alberto Torres e Paulo César Caju) contra um alvinegro apenas esforçado. Os cariocas saem na frente com Carlos Alberto Pintinho. Mas, debaixo de um temporal que desaba no maior estádio do mundo, o volante Ruço empata de meia-bicicleta.

Nos pênaltis, o goleiro Tobias garante a festa de 70 000 felizes paulistanos na volta para casa. A alegria dura sete dias, quando a taça fica com os gaúchos do Internacional. Mas é ali, naquela invasão do Maracanã, que começa a florescer um novo Corinthians. Ou melhor: renasce o velho Corinthians forte, brigador e vencedor.

1977 - 1988 — Felicidade ainda que tardia

A história é bem conhecida dos corintianos. Eram passados 36 minutos do segundo tempo da terceira partida decisiva do Campeonato Paulista de 1977, contra a Ponte Preta. A falta próxima da grande área cobrada pelo lateral-direito Zé Maria vai parar nos pés do ponta Vaguinho, que acerta a junção da trave direita com o travessão. Na volta, o lateral-esquerdo Wladimir tenta de cabeça, mas o zagueiro ponte-pretano Oscar, postado em cima da linha, salva o gol que parecia inevitável. Na volta, o meia Basílio, comprado para o lugar de Rivellino apesar de seus apenas razoáveis recursos técnicos, manda a bola de primeira, para o fundo do gol adversário. E vira herói para sempre.

Ah, como os corintianos aguardaram aquele momento. Mais precisamente, 22 anos, oito meses e seis dias. A partir do gol de Basílio, começava uma nova e gloriosa era na história do Timão. No ano seguinte, já com o craque Sócrates ao lado de Palhinha (o melhor entre os remanescentes campeões de 1977), o time jogou bonito mas não ganhou o bi. Ficou para 1979, ano em que o Palmeiras de Telê Santana, campeão dos três turnos possíveis, morreu na praia, eliminado pelo Corinthians nas semifinais com um gol de canela de Biro-Biro. Aí foi só despachar novamente a Ponte Preta na decisão.

Depois de uma breve derrapada entre 1980 e 1981 (com direito ao descenso à Taça de Prata, a segunda divisão do Campeonato Brasileiro), o time retoma o rumo com o bi de 1982 e 1983, embalado pela experiência da Democracia Corinthiana, em que jogadores e dirigentes decidem juntos os destinos da equipe. O movimento peitou o jeito arcaico de os clubes brasileiros tratarem seus atletas, aboliu a concentração, liberou a cervejinha e promoveu uma maior conscientização política dos jogadores do elenco. Os cabeças eram Sócrates, Wladimir e Casagrande, apoiados pelo diretor de futebol Adílson Monteiro Alves.

Perdido o tri em 1984, e desfeitas as ilusões com a máquina que não chegou a engrenar em 1985, o Timão toma um susto em 1987. De penúltimo colocado e quase rebaixado, na reta final a equipe comandada pelo técnico Formiga consegue 13 vitórias em 19 jogos e chega à final contra o São Paulo. Perde, mas retoma o rumo no ano seguinte. O Paulistão de 1988 é conquistado com o gol do magricela e atrevido centroavante Viola, de 19 anos.

1989 - 2000 — Ambição sem fronteiras

Retomada e consolidada a hegemonia em São Paulo, era hora de vôos mais altos. A partir de 1989, o objetivo corintiano passou a ser a afirmação nacional. O projeto, iniciado com as boas participações no Brasileiro e na Copa do Brasil de 1989, dá frutos já em 1990. Com os lançamentos e os gols de falta do craque Neto, o time chega ao seu primeiro título de campeão brasileiro. Disputa a Libertadores em 1991, volta a mandar jogos no Parque São Jorge em 1992, chega à decisão do Paulista de 1993. Na conquista nacional seguinte - a Copa do Brasil de 1995 -, o ídolo maior já é Marcelinho, carioca de criação, corintiano por adoção. É ele o regente daquele ano inesquecível, emoldurado com o 21º Campeonato Paulista, mais um em cima do Palmeiras, que também tinha vinte conquistas até ali.

Em 1997, o Corinthians se lança em sua primeira aventura em busca de um parceiro forte que bancasse o time. O casamento com o Banco Excel foi rápido, mas deu cria: o Campeonato Paulista de 1997, conquistado graças a contratações como a do zagueiro Antônio Carlos e as dos atacantes Túlio e Donizete. O time joga bonito também em 1998, ano do segundo título brasileiro, sob o comando de Wanderley Luxemburgo. A equipe não tinha mais o goleiro e capitão Ronaldo. Quem ergueu a taça foi zagueiro paraguaio Gamarra. Maior expoente das pretensões de internacionalização do clube, ele precisou de apenas uma temporada para virar ídolo da Fiel. Seguro, sempre bem posicionado, incapaz de machucar um adversário e de dar chutões, o elegante Gamarra parecia infalível. Raramente perdia uma disputa de bola, jamais chegava atrasado, estava sempre lá para salvar o Timão. Foi considerado o melhor zagueiro do mundo e deixou saudades quando se transferiu para o Atlético de Madrid, da Espanha. Na decisão do Brasileiro contra o Cruzeiro, no Morumbi, a torcida já sabia que ele estava de malas prontas. E numa última tentativa de segurar o craque, apelou em coro: "Fica! Fica! Fica!" Não adiantou. Gamarra foi mesmo embora.

Nada que uma boa comemoração não resolvesse. Seis meses depois, o clube já festejava a 23ª taça de campeão paulista. E no final de 1999, o terceiro Campeonato Brasileiro, dessa vez sob o comando do técnico Oswaldo Oliveira (ex-auxiliar de Luxemburgo) e tendo o volante colombiano Rincón como líder e novo capitão da equipe.

A virada para o ano 2000 encontrou um Corinthians rico, graças à parceria firmada com o fundo de investimentos norte-americano Hicks, Muse, Tate & Furst. E recheado de craques, como o goleiro Dida, o volante Vampeta, o capitão Rincón e os atacantes Edílson e Marcelinho. Como campeão nacional do país-sede, o clube participa do primeiro Campeonato Mundial de Clubes, torneio organizado pela Fifa e que reuniu também timaços como o Real Madrid, da Espanha, o Manchester United, da Inglaterra, e o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. Em pleno Maracanã, o Timão bateu, nos pênaltis, o Vasco dos atacantes Romário e Edmundo e ficou com o cobiçado título. O Corinthians se tornou assim o primeiro campeão do mundo reconhecido pela Fifa.

Monday, December 11, 2006

A Verdade dos Outros

Os três jogos da decisão de 1977 foram: Corinthians 1 x Ponte Preta 0, no Morumbi; Corinthians 1 x Ponte Preta 2, também no Morumbi; e Corinthians 1 x Ponte Preta 0, no Pacaembu. No último, o centroavante Rui Rei foi expulso por reclamação aos 17 minutos de partida. O juiz era Dulcídio Wanderley Boschillia. Em 1978, foi incorporado às fileiras alvinegras do Parque - Rui Rei, bem entendido.

(foto: revista Placar)
Basílio, autor do chorado gol campeão (Zé Maria cobra falta, Vaguinho chuta, o goleiro faz uma defesa parcial, a bola bate na trave, Wladimir tenta de cabeça, a bola não quer entrar e rebate num zagueiro, mas, na sobra, Basílio marca), vestia a 8.

Vicente Matheus ajoelhou e rezou.

O dr. Raul Cutait foi diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês e é um médico de renome internacional, embora tenha de esconder, nos congressos do exterior, o fato de que torça para aquele time baderneiro do Morumbi.

São Paulo amanheceu emporcalhada porque os garis da Prefeitura, depois da sofrida vitória do Coringão, resolveram fazer do lixo seu confete e serpentina. Muito diferente daquelas raras comemorações dos frajolas do Morumbi, que, de tão desacostumados com a vitória, quebram vitrines, vandalizam orelhões e tocam fogo na cidade.

FONTE: Corinthians é Preto no Branco. Washington Olivetto e Nirlando Beirão. 2005.

E ELE NÃO É CORINTIANO...

São muitos os caminhos
O Coríntians tem a maior torcida do mundo. Só que a torcida do Coríntians se divide em duas facções: existem os que torcem a favor e os que torcem contra o Coríntians.

O pão do espírito é necessário
O cara que sempre pega a pior, que só come capim amargo pela raiz ou bagulho catado no chão da feira; o cara que mora na beira dos corregos e quase se afoga toda vez que chove; o cara que vê toda hora seus mais ternos sentimentos esmagados nas cruentes batalhas sem glória do seu dia-a-dia; o cara que a toda hora se sente a alegria do circo, constrangido pelas impossibilidades do seu salário miserável; esse cara abriu a boca pálido de espanto e, com a voz rouca de tanto berrar da geral sem nunca influir no resultado, murmurou baixinho:
- Este ano é nosso.
Depois gritou:
- O da gravata, suspende o sortido que eu pedi. Domingo vou no Maracanã ver nosso Coringão faturar o Flu.
E o cara sorriu, como se estivesse bem alimentado.

Uma religião não atrapalha a outra
Os ogãs, acanhados, chegaram junto à Mãe Grande de um terreiro de muita valia e o mais velho foi explicando meio encabulado:
- Olha, mãe, a gente tá sabendo que tem festa pra Iemanjá, nesse domingo... mas olha, mãe...a gente é de muita fé... mas esse domingo não vai dar pra gente ir na Praia Grande... Domingo... a senhora sabe...
E a Mãe de Santo interrompeu com toda sua compreensão:
- Tou sabendo, tou sabendo. Só que ninguém vai ficar em falta com Iemanjá. A gente vai pro Rio de Janeiro. Lá tem mar, não tem? Então. Logo cedo a gente oferece o que tem que oferecer prá Santa e depois vamos pró Maracanã torcer pelo Coringão.

O reino de Deus é dos puros
"Esse ano é do Coríntians". E se não for, qualquer corintiano terá forças para esperar mais vinte e dois anos ou até a vida toda por um título, sem esmorecer. A glória do corintiano é ser corintiano.
Aliás, já no tempo da Bíblia, o Coringão tomava ferro. Outro dia abri a Bíblia e vi lá: Corintius I, Versículo II. E naquele tempo, Matheus não era presidente. Apenas assinava uma coluna.

Plínio Marcos

Publicado na Folha de S.Paulo, domingo, 5 de dezembro de 1976

PEPSI

"Salve o Corinthians, o campeão dos campeões. Eternamente dentro dos nossos corações.Salve o Corinthians , de tradições e glórias mil. Tu és orgulho dos esportistas do Brasil. Teu passado é uma bandeira, teu presente, uma lição. Figuras entre os primeiros do nosso esporte bretão. Corinthians grande , sempre altaneiro. És do Brasil o clube mais brasileiro."

Depois de 4 anos no peito do Corinthians, essas foram as melhores palavras de agradecimento que encontramos. Na memória , ficam todos os momentos de comemoração. Sempre estivemos lado a lado, quando fizemos uma camisa histórica de 90 anos do Corinthians e em vários outros momentos de alegrias e de dificuldades também. Na garganta, fica um nó que nem um gole de Pepsi gelada desfaz. A gente pode ter saído da camisa, mas continua no coração do time. Obrigado, Corinthians. Obrigado, Fiel.

Pepsi

Notícia publicada no Estado de São Paulo, dia 16 de Janeiro.

Frases - parte V

"Eu nunca vi nada igual à essa torcida. Ela arrepia qualquer um, mano" (Carlos Alberto Parreira, em 2002, após a conquista do Rio-São Paulo, no Morumbi, contra os bambis).

"Eles perderam a Copa do Brasil, perderam o Rio-São Paulo e vão perder esse Paulistão de novo" (Vampeta, em 2003, minutos antes da partida final do Paulistão contra os bambis. O jogo acabou 3 X 2 pra nós e fomos campeões de novo em cima da freguesia...)

"Se eles querem que eu fique, eu fico!" (Gamarra, em 98, logo após erguer a taça de campeão brasileiro e ouvir o coro de 80 mil corinthianos no Morumbi gritando "Fica Gamarra, fica Gamarra")

"Eu fui infeliz na minha cobrança, mas o Edmundo deu uma forcinha. Valeu, Ed!" (Marcelinho, após a conquista do Mundial de Clubes da FIFA, em 2000, decidido nos pênaltis).

"Uma das narrações mais emocionantes que eu já fiz no nordeste... Como é linda essa Torcida do Corinthians"(Luciano do Vale)

156.000 Corintianos cravam o imbatível recorde de público no Morumbi em 1977. 80.000 Corintianos invadem o Maracanã, no maior deslocamento de uma torcida na história de qualquer esporte, desde que o mundo existe.

Osvaldo de Oliveira, chorando e apontando para 25.000 Corintianos no Maracanã, na final do Mundial, em um abraço imaginário, dizendo "onde vcs estiverem, estarão dentro de mim"

Dinei, visitando o terrão onde começou no Corinthians, para se despedir, após a entrevista, sem saber que o microfone estava ligado: "Meu Deus, isto aqui é a minha vida...vou sentir tanta falta"

Galvão Bueno, ao ver o Corinthians entrar em campo na final do Paulista de 1997: Entra o Corinthians em campo... o Morumbi vai explodir em preto e branco" E explodiu...fogos, bandeiras, fumaça, gritos, choro...

Frases - parte IV

"O Corinthians é mesmo o símbolo do povo que não chega lá. Do povo que sofre todas as decepções, desde as mais legítimas, como também as de seus sonhos. Que é humilde. Povo que se abate, mas que, ao mesmo tempo, Sabe que precisa recomeçar. E recomeça mesmo! Está presente em todas as lutas. Recomeça. Tenho certeza de que a vitória do Corinthians deve levar a vitórias essenciais na vida. E vai levar a tanto. Acreditamos, sempre de novo, nesta era que está para chegar em favor do povo, com a participação do povo e criada pelo mesmo povo." (Dom Paulo Evaristo Arns, em sua Pastoral ao Povo Corinthiano, depois do título de 1977)

"Todos os times têm uma torcida. O Corinthians é uma torcida que tem um time." (José Roberto de Aquino, jornalista)

"Nenhum time hoje no mundo resiste a um play-off de 5 partidas contra o Corinthians." (Juca Kfouri, em sua coluna no Lancenet, após o Campeonato Mundial Interclubes de 2000)

"O grande problema de São Paulo é não se chamar Corinthians." (Juca Kfouri, no livro Corinthians Paixão e Glória)

"O Corinthians não teve começo, ele brotou; não teve meio, tem um presente que é uma lição; e, tão certo como a eternidade, jamais chegará ao fim." (Juca Kfouri, ibidem)

"Ser campeão não é fundamental. Fundamental é ser corinthiano." (Juca Kfouri, ibidem)

"Nada é fácil para o Corinthians." (Juca Kfouri, ibidem)

"Ser corinthiano é decidir que todo ano a gente vai sofrer." (Gilberto Gil, em sua música em homenagem ao Corinthians)

"Tive uma demonstração de carinho incrível no Grêmio, mas o que acontece aqui é algo especial. Essa receptividade é emocionante" (Técnico Tite, após torcida gritar seu nome no Pacaembú no jogo Corinthians 5 x 2 Figueirense.)

Frases - parte III

"Minha maior frustração na vida foi nunca ter jogado pelo Corinthians." (Dario, o Dadá Maravilha, em entrevista à revista Placar)

"Se dependesse de mim, nunca sairia daqui. Aqui realizei o maior sonho da minha vida, que era jogar pelo Corinthians. E pode ter certeza de que encerrarei aqui minha carreira." (Zé Elias, ao ser vendido para a Inter de Milão, em entrevista à rádio Jovem Pan)

"Não vou negar, deu vontade de estar do outro lado.” (Casagrande, entre lágrimas, jogando pelo Flamengo contra o Corinthians no Pacaembu pelo Brasileiro de 1993, após ouvir o coro da Fiel “Volta Casão, você é do Timão”, e “Casão, eu não me engano, seu coração é corinthiano”. Por ironia do destino, ele marcou um gol contra nesse jogo)

"A grande força do Corinthians é a emoção que a torcida passa para o time, algo numa dimensão que nenhuma outra passa." (Sócrates, ibidem)

"O Corinthians é mais importante que a seleção." (Wladimir, jogador que mais atuou pelo Timão)

"Eu tive a sorte de ter pais corinthianos. Minha vida foi de entrega total ao Corinthians, de um relacionamento estreito com a torcida e com meus companheiros. Respirávamos Corinthians. E mesmo depois que parei de jogar a relação não mudou. Em 77, por exemplo, quando ganhamos o título depois de 22 anos, eu estava no Morumbi, na arquibancada, como um torcedor comum. Que alegria! Fico arrepiado só de lembrar, só de contar." (Luizinho, o Pequeno Polegar, em entrevista a Juca Kfouri no livro Corinthians Paixão e Glória)

"Adoro o Corinthians. Tudo o que tenho o Corinthians me deu e me dá até hoje. Acho que posso dizer que o Corinthians e eu estamos empatados. O clube me deu tudo e eu dei minha vida pelo clube. O Corinthians me deu isso que está aqui dentro, essa tranqüilidade, esse bem-estar." (Luizinho, ibidem)

Frases - parte II

"Isso aqui já se tornou minha segunda pele. Mesmo que eu queira, nunca vai sair de mim." (Marcelinho, após o título da Copa do Brasil de 1995, referindo-se à camisa do Timão)

"É diferente, sim. Nem a do Flamengo é igual. Todos sabem o que essa torcida representa. Parece que Deus deu uma paradinha lá no Parque e transformou o time e a torcida no que eles são." (Sócrates, sobre a torcida corinthiana)

"Era muito feliz no Corinthians. Até hoje eu vivo o clube. E, pode escrever aí: ainda vou ser treinador do Corinthians" (Neto)

"As diferenças básicas entre as duas torcidas são culturais. O carioca é o cara que tem um contingente de conhecidos e quase nenhum amigo. Em São Paulo é diferente. O torcedor paulista vê o ídolo como se nunca mais fosse ver de novo. Quer explorar ao máximo aquele momento. Eu me sentia muito mais pressionado no Corinthians." (Sócrates, explicando as diferenças entre as torcidas do Flamengo e Corinthians)

"Faço questão de deixar claro que não é por causa do dinheiro. Nada paga o prazer de defender o Corinthians. Mas tenho de ser profissional, acabei de assinar um contrato de quatro anos e vou ficar no Olympiakos até 2004." (Zé Elias, explicando porque não poderia ainda retornar ao Corinthians)

"Nunca tive nada contra o Corinthians. Apenas precisava calar logo aquela massa incrível. Se não calasse, a torcida ganharia o jogo." (Pelé, em entrevista a Juca Kfouri)

Frases - parte I

"Joguei um ano e dez meses no Corinthians e foi a fase mais bonita que já vivi em minha carreira. Foi o melhor momento de minha vida. Antes de acertar com o Flamengo cheguei a pensar sim que o Corinthians ia me buscar novamente. Isso não aconteceu e me frustrou um pouco" (Gamarra, ao ser contratado pelo Flamengo)

"Isso aqui já se tornou minha segunda pele. Mesmo que eu queira, nunca vai sair de mim." (Marcelinho, após o título da Copa do Brasil de 1995, referindo-se à camisa do Timão)

"Saio do Corinthians para dirigir o meu país. Não trocaria esse time por nenhum outro do mundo, e olha que tive propostas" (Carlos Alberto Parreira, em entrevista coletiva quando comunicou seu desligamento do Timão pra dirigir a Seleção Brasileira)

"Nunca comemorarei um gol contra o Corinthians, não importa em que clube estiver. Lá ganhei tudo o que uma pessoa poderia sonhar, e, mais que isso, a torcida me ganhou pra toda a vida. Era flamenguista desde criança, e hoje posso dizer que sou corinthiano." (Oswaldo de Oliveira, depois de Fluminense X Corinthians pelo Brasileiro de 2001, ao ser questionado pelos repórteres porque não havia comemorado os 2 gols do Fluminense naquela partida)

"O Corinthians não é só um time e uma torcida. É um estado de espírito." (Sócrates, ao se sagrar Campeão Paulista em 1982)

"Meu Deus, amo mais isso aqui que qualquer outra coisa no mundo." (Neto, após marcar um gol de bicicleta contra o Guarani no Campeonato Paulista e ser expulso por tirar a camisa e comemorar com a Fiel)

"Sofri demais naquele jogo. Não queria enfrentar o Corinthians, mas tive de jogar. E foi 3 a 2 para eles, quer dizer, para nós, sei lá, só sei que o Juventus ganhou e que não gostei nem um pouco." (Luizinho, sobre a época em que jogou pelo Juventus)

O torcedor CORINTHIANO, por Paulo Bonfá.

O PAULISTANO. Mesmo com tantos outros times tradicionais, não existe nada mais paulistano do que um corintiano. Ele nunca está colorido ou relaxado. O corintiano, como o paulistano, é preto e branco, nervoso, e está sempre cobrando competência da administração. Quer resolver tudo. É um apaixonado, porém, não do tipo que manda flores.

Dica de Paulo Bonfá: "Se você se interessa por idiomas, escolha o Timão. Estão abertas turmas de espanhol com Teves e árabe com Kia Joorabchian."

Torcedores famosos: Lula, Ayrton Senna, Washington Olivetto e Rubens Barrichello.

QUEM AMA O GORDO?

Novembro de 1990, reta final do Campeonato Brasileiro.

Neto está com quase três quilos acima do peso, mas vem decidindo os últimos jogos. Insuficiente para aplacar a ira do preparador físico Flávio Trevisan, que já havia reclamado com o treinador Nelsinho:- Pó, Nelson, esse cara não quer saber de nada. Todo dia ele inventa que tem uma dor aqui, uma dor ali e nunca treina. Tá virando um balão!

Depois de uma derrota de 3 a 0 para o internacional, no Pacaembu, quando todo o time foi mal, Neto aparece no Parque São Jorge reclamando de uma dor na panturrilha. Não queria treinar. Trevisan estrila de novo. Nelsinho vai falar com o doutor Grava:

- O que eu faço, Joaquim? O próximo jogo seria contra o atlético mg, pelas quartas-de-final.
- Faz o seguinte: deixa o Neto comigo. Com dor ou sem dor, ele joga. Só digo uma coisa: gordo ou não, é ele que está resolvendo nossos jogos. Põe ele pra jogar. É melhor perder com 120 quilos do que perder com qualquer outro jogador.

No sábado, dia do jogo, uma chuva copiosa quase afoga o Pacaembu. O atlético sai na frente com um gol no primeiro tempo, mas, no segundo, faltando 15 minutos para acabar, Neto faz dois gols e leva o time à vitória.

Na saída para o vestiários, Nelsinho dá um abraço no médico: ele vai jogar sempre, mesmo que chegue aos 120 quilos.

Depois desse resultado, o CORINTHIANS dispara para seu primeiro título nacional. Além de jogar como nunca, Neto faz nove dos 23 gols CORINTHIANOS.

FONTE: livro MEDICINA FUTEBOL CLUBE, Joaquim Grava por Tim Teixeira

DADOS DO JOGO
Data: 24 de novembro de 1990, sábado.
Quartas-de-final
Campeonato Brasileiro
Estádio: Pacaembu
Público: 28.516 pagantes
Gols do CORINTHIANS: NETO aos 30 e aos 40 do 2º tempo.

SÓCRATES DÁ ADEUS COM BELA EXIBIÇÃO

Quantos corinthianos não desejaram ontem ter nascido romeiros do padre Cícero Romão Batista e aplaudir com fé o doutor Sócrates, ao final da goleada de 3 a 0 no Vasco da Gama? Certamente, uma boa parte da nação que não pôde ir até Juazeiro do Norte, a milhares de quilômetros do Parque São Jorge, no coração do sertão cearense, palco que o acaso destinou para a despedida de gala do Doutor dos gramados brasileiros. Para quem viveu o adeus, valeu: "Foi emocionante para todos nós, que consolidamos uma convivência democrática no Corinthians, com o apoio essencial do Magrão, aplaudi-lo na partida", dizia o diretor de futebol Adilson Monteiro, depois de abraçar Sócrates, que deixou o gramado faltando três minutos para o término do jogo.

Calçando-se no vestiário, o doutor confessava: "Não estou sentindo nada de anormal. Parece até um jogo comum. Preferia que surgisse uma emoção diferente, para sentir como era a coisa". Aos dois minutos, ele driblou Aírton e Daniel Gonzales e a bola sobrou para Dicão, que chutou na trave. Usou seu calcanhar logo depois e foi só, num primeiro tempo apático, onde levou até um lençol do lateral Aírton. Sócrates, que só devia jogar um tempo, reconheceu que não fora bem: "Faltou entrosamento. Eu vou voltar".

No segundo tempo, Hélio Mafia substituiu Ataliba por Galo e orientou o Corinthians para forçar pelo lado direito do Vasco. A tática funcionou: aos 22, Sócrates avançou em cima de Aírton, dividiu com Acácio e a bola sobrou para Biro, que emendou para as redes. Aos 25, Acácio distribuiu mal a bola, Casagrande roubou da zaga e lançou Sócrates. O doutor avançou para a área, driblou o goleiro mas não quis marcar: esperou Acácio voltar para o gol e tocou devagar para Galo, que chutou da pequena área, sem defesa. Aos 28, Dicão completou a goleada, tocando por debaixo das pernas do goleiro vascaíno.

Os três gols em seis minutos, que arrasaram o Vasco, e a atuação magistral no segundo tempo, coordenando todas as jogadas de ataque do Corintians, não tiraram a calma do doutor: "Foi um bom jogo. Acho que o povo sofrido daqui do sertão gostou. Eu também gostei. Senti até uma espécie de relacionamento místico com as pessoas. Quem sabe por conta da formação cultural de minha família, lá de Belém do Pará, onde essas coisas de misticismo também têm muita força".

No vestiário, Sócrates sentou num canto, colocou as mãos na cabeça por alguns segundos e, diante da surpresa dos jogadores pelo seu rápido recolhimento, riu e abraçou os mais próximos. Sua camisa da despedida foi pedida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Juazeiro do Norte, que pretendem leiloá-la para arrecadar fundos. O jogo do adeus deu um prejuízo de 50 milhões - nas primeiras contas de seu promotor, o advogado José Afonso de Oliveira, que na manhã do domingo contava com um lucro idêntico ao prejuízo.

No próximo dia 10, Sócrates faz seu último jogo pelo Corinthians, contra uma equipe da Jamaica. Hoje, Casagrande reúne-se com a diretoria do Timão para acertar em definitivo sua transferência para a França. Biro-Biro também falou em sair em todas as entrevistas em Juazeiro. Quantos corinthianos não desejam agora ter a fé dos romeiros do Padre Cícero, para trazer de volta seu ídolo à nação?

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo, segunda-feira, 4 de junho de 1984
Autor: Luiz Ricardo Leitão - enviado especial a Juazeiro do Norte

Jogo realizado em 3 de junho de 1984, no Estádio Mauro Sampaio (Romeirão), em Juazeiro do Norte.
Os gols CORINTHIANOS foram marcados por BIRO-BIRO, GALLO E DICÃO.

Técnicos Ex-jogadores

Nos mais de 96 anos de Glórias do SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, alguns privilegiados tiveram a sorte e a honra de vestir o MANTO SAGRADO e posteriormente treinar a equipe do PARQUE SÃO JORGE.
E são eles:
Alfredo Ramos, lateral esquerdo – jogou de 1957/1959 e treinou o Clube em 1961;
Amílcar Barbuy, centroavante e centro médio – jogou de 1913/1923 e treinou o Clube em 1934/1935, 1937 e 1943;
Armando Del Debbio, zagueiro – jogou de 1922/1931, 1937 e 1939 Treinou o Clube em 1939/1942, 1947/1948 e 1963;
Baltazar (Oswaldo Silva), centroavante – jogou de 1945/1957 e treinou o Clube em 1971;
Basílio (João Roberto Basílio), meia direita – jogou de 1975/1981 e treinou o Clube em 1985,1987,1989/1990 e 1992;
Cabeção ( Luis Morais), goleiro, - jogou de 1949/1966 e treinou o Clube em 1976;
Carlos Menjou, centromédio e zagueiro – jogou de 1933/1940 e treinou o Clube em 1942;
Cláudio (Cláudio Christovam de Pinho), ponta direita – jogou de 1945/1957 e treinou o Clube em 1958/1959;
Dino (Osvaldo Rodolpho da Silva), médio esquerdo, jogou de 1940/1944 e 1947/1948 e treinou o Clube em 1960;
Dino Sani, médio volante – jogou de 1965/1968 e treinou o Clube em 1969/1970 e 1975;
Édson Cegonha, volante – jogou de 1964/1969 e treinou o Clube em 2000;
Eduardo Amorim, meia direita – jogou de 1981/1988 e treinou o Clube em 1995/1996;
Juninho (Alcides Fonseca Junior), zagueiro – jogou de 1983/1985 e treinou o Clube em 2003/2004;
Leão (Émerson Leão), goleiro – jogou em 1983 e treina, atualmente, o clube (2006);
Luizinho (Luiz Trochillo), meia direita – jogou de 1948/1960, 1964/1967 e 1996* (* Aos 65 anos de idade, jogou no jogo de estréia de Edmundo no CORINTHIANS, no Pacaembú contra o coritiba) e treinou o Clube em 1972, 1974 e 1975;
Márcio Bitencourt, volante – jogou de 1985/1992 e 1993 e treinou o Clube em 2005;
Neco (Manoel Nunes), ponta esquerda, centroavante e meia – jogou de 1913/1930 e treinou o Clube em 1927, 1937/1938;
Palhinha (Wanderley Eustáquio de Oliveira), atacante –jogou de 1977/1980 e treinou o Clube em 1989;
Rato (José Castelli), meia e ponta-esquerda – jogou de 1921/1931, 1933/1937 e treinou o Clube em 1942/1943, 1951/1954, 1958, 1959 e 1963;
Roberto Belangero, médio –jogou de 1947/1960 e treinou o Clube em 1964;
Servílio (Servílio de Jesus), meia direita jogou de 1938/1949 e treinou o Clube em 1948;
Zé Maria (José Maria Rodrigues Alves), lateral direito – jogou de 1970/1983 e treinou o Clube em 1983.

BANDEIRA CORINTHIANA.

Bandeira CORINTHIANA!
Começaste a tremular aos ventos do Planalto Paulista em 1910.
Desde logo irradiaste tua grandeza, tua pujança com conquista de feitos
Inenarráveis, aparecendo como um fenômeno, para onde se voltaram as atenções dos adversários que até então se julgavam absolutos.

Bandeira CORINTHIANA!
Depois de poucos anos de existência passaste a ser cantada como um
Hino por todos os rincões do nosso Brasil estendendo-se depois, para além fronteiras.

Bandeira CORINTHIANA!
Fizeste-te admirar e respeitar como força poderosa; como uma força que soube se impor pela magnitude,
pela fibra de tua gente, pela nobreza do significado que representas;
pela trajetória brilhante em prol dos desportos de nossa terra.

Bandeira CORINTHIANA!
Expressão de glórias. Símbolo amado de uma intensa coletividade.
Reflexo de uma perseverança indômita que jamais encontraste, na estrada do progresso, qualquer obstáculo que impedisse a tua marcha triunfal no cenário esportivo de nossa pátria.

Bandeira CORINTHIANA!
Tens tremulado, com garbo, com soberania, honrosamente, no mastromais alto da vitória em batalhas das mais renhidas;
em batalhas memoráveis.

Bandeira CORINTHIANA!
Bandeira CORINTHIANA! Os teus feitos, invejados por todos, viveram – e viverão – como satélites no firmamento, no coração de cada um de nós;
no coração de cada um que venera como qualquer coisa de seu;
Como qualquer coisa sublime, alimentando a esperança de que continuarás a ser sempre o espelho fiel de uma tradição que viverá para sempre, nas páginas mais fulgurantes dos desportos brasileiros.

Bandeira CORINTHIANA!
Tua gente te contempla demoradamente, possuída de imensa ufania, e nunca se cansa de olhar para as tuas orgulhosas cores, porque representam elas muita coisa com as alegrias e satisfações de cada “mosqueteiro”.

Bandeira CORINTHIANA!
Não poucas vezes os tens feito chorar de emoção: quer na vitória, quer na derrota. Não poucas vezes lhes tens causado dissabores e lhes entristecido o coração, pelo amor que eles te dedicam.

Bandeira CORINTHIANA!
Aqueles que te amam e te adoram, contemplam-te como o coração cheio de alegria, porque sabem que a tua missão ainda não está terminada; ainda não escreveste o último e belo capítulo de tua esplendorosa vida; o capítulo que há de ser um poema dos mais gloriosos, com argumentos concretos e positivos de uma vida cheia de obstáculos, cheia de sacrifícios, não se poderá negar, mas que será a expressão exata de toda a tua grandeza dentro de uma pátria ainda maior.

Bandeira CORINTHIANA!
Ainda não tremulaste pela última vez no mastro da vitória enchendo os céus brasileiros Com teu hino glorioso, que reflete na exuberância de teu passado e na esperança de teu futuro.

Bandeira CORINTHIANA!
Na certeza de que saberás escrever esse capítulo sublime, com a mesma soberania que escreveste os demais, bordando as letras desse capítulo com feitos significantes, voltamos
Nossas vistas para ti, para tuas queridas cores alvinegra, e com a mão no coração não nos cansamos de repetir: para frente sempre para a glória,

Bandeira CORINTHIANA!

Autor do Texto: Toninho de Almeida, funcionário símbolo do SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, criador da sala de imprensa Kalil Filho em 1972. Se auto intitula português de nascimento, brasileiro de coração e CORINTHIANO DE CORPO E ALMA!!FONTErevista: CORINTHIANS EM REVISTA, Nº 2, março de 1994.

1976 - Isso é Corinthians.

A seguir trecho de abertura do livro de Cláudio Aragão "História do Corinthians em cordel", sobre a semi-final do brasileiro de 1976, no jogo da famosa invasão CORINTHIANA, ONDE MAIS DE 75000 CORINTHIANOS TRANSFORMARAM O MARACANÃ NA CASA CORINTHIANA:

"O fluminense recuava, o CORINTHIANS procurava o empate. Cada jogada era disputada como o coração. O melhor exemplo disso era a luta travada por VAGUINHO contra rodrigues neto e edinho. ELE apanhou dos dois, tomou cada sarrafada capaz de derrubar qualquer jogador normal, MENOS UM CORINTHIANO"- José Maria de Aquino

EXTRA:
Entrevista com o Ex-Presidente do Fluminense: http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/wma/wma.asp?audio=2006/noticias/horta_061205.wma
Ingressos das arquibancadas do Maracanã: http://img184.imageshack.us/img184/9986/ingresso76qw7.jpg

Goleada histórica da Democracia!

Dia inesquecível, 1º de agosto de 1982, jogo válido pelo Campeonato Paulista, primeiro turno. Mais um clássico: TIME DO POVO x time de colônia ( porcada). O CORINTHIANS era um timaço, possuía um dos melhores elencos da história do futebol brasileiro.

Enquanto o Brasil sofria com a ditadura, os CORINTHIANOS respiravam DEMOCRACIA, ensinavam democracia com a famosa DEMOCRACIA CORINTHIANA.

A FIEL como de costume lotava as dependências do Morumbi, tradicional palco de festas CORINTHIANAS. E em campo, o resultado do jogo traduziu o clima de fora dele. CORINTHIANS dominou o jogo e com uma tremenda facilidade GOLEOU a porcada por 5 x 1 !! Detalhe: Ao final da partida, o jogador parmerense Luís Pereira, deu uma volta olímpica no estádio, como o MANTO SAGRADO CORINTHIANO, pagando uma aposta que fizera com o lateral esquerdo corinthiano WLADIMIR.

A porcada que já estava triste, ficou ainda mais triste ao ver seu jogador dando uma volta olímpica com A CAMISA CORINTHIANA.
Realmente esse dia foi inesquecível, para melhorar ainda mais o quadro de festa, a FIEL em pleno jogo, jogou em campo um porco vivo no gramado!!!!

FICHA DO JOGO
Data: 1º de agosto de 1982
Estádio: Morumbi
Gols Corinthianos: Casagrande 3, Biro-Biro 1 e Dr. Sócrates.

Luizinho - O Dia da Justa Homenagem!

O ex-jogador do TIMÃO, Luiz Trochillo, o Luisinho, 64 anos, foi homenageado pelo CORINTHIANS com a colocação de um busto no jardim que dá acesso à Presidência, no Parque São Jorge. A criação do busto foi executada pela artista plástica Eunice Figueira, que teve privilégio semelhante ao seu pai, que criou o busto de Neco, ex-jogador que também recebeu a mesma homenagem.

O evento que ocorreu no dia 11 de julho, recebeu um público de aproximadamente 600 pessoas, entre fãs, associados e diretores, que puderam rever aquele que foi um dos maiores ídolos da história do CORINTHIANS.

O Pequeno Polegar, como também era chamado pela FIEL torcida, jogava na meia e fez parte do legendário “Ataque dos 100 gols” (que na realidade foram 103) em 1951, formado por Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário.

Vários jogadores do atual elenco do alvinegro também prestigiaram a solenidade, juntamente com antigos companheiros de Luisinho no Timão e até mesmo de outros clubes, como Oberdãn Catani (considerado um dos maiores goleiros do parmera), Buzone (juventus), Pauli (juventus), Violani (juventus) e Amaral (potuguesa).

Do lado CORINTHIANO, os seguintes jogadores foram abraçar Luisinho: Gilmar, Cabeção, Homero, Nardo, Carbone, Afonso, Peliciani, Valucci, Renato, Julião e Ferrão.Não faltaram personalidades do cenário político.

O ex-superintendente do DAEE, Francisco Além, representou o Governador Fleury Filho. Os vereadores Toninho Paiva e Vicente Viscome também marcaram presença.

A chegada de Luisinho ao Parque São Jorge foi um momento de grande emoção para todos os presentes. Afinal, naquele dia o CORINTHIAS fazia justiça ao atleta que vestiu a camisa ALVINEGRA por 589 vezes.

Ao retirar a Bandeira do CORINTHIANS que envolvia o busto, Luisinho beijou-a e chorou.

Uma cena emocionante que jamais se apagará da lembrança desse notável craque.

Luizinho foi bicampeão paulista de 1951/52; e do memorável Título do IV Centenário (1954). Foi campeão invicto, sem perder nenhum ponto, da Pequena Copa do Mundo disputada na Venezuela, em 1953.

Fonte: CORINTHIANS em Revista nº 9 julho de 1994.

Obs: O busto de homenagem foi sugerido ao CORINTHIANS pelo jornalista Romano Netto, diretor da Gazeta do Tatuapé.

Luizinho - O Pequeno Polegar
Nome: Luis Trochillo (nasceu em São Paulo em 07/03/1930-faleceu em 17/011998).
Jogos 603
Gols 175
Títulos Campeão Paulista 1951/52 e 1954; Rio- São Paulo 1950,1953/54.

Enfim, o Corinthians é campeão!

O fim de todos os azares.

Foi tudo muito rápido: Vaguinho chuta Carlos defende, a bola bate na trave e Vladimir cabeceia, Polozzi rebate e Basílio chuta forte. O grito contido explode e milhões de pessoas viram o sonho acontecer".

Quinta-feira, 13 de outubro de 1977, às 23h03, milhões de azares e feitiços se acabaram, sepultados pelo último chute de um feroz bombardeio. Basílio deu esse último chute, aos 37 minutos do segundo tempo, o mais importante dos milhões de chutes dados desde 6 de fevereiro de 1955. O Corinthians é o campeão paulista de 1977. Um título sofrido como tinha de ser, vencendo uma equipe que jogava com dez jogadores, a partir dos 17 minutos do primeiro tempo, para ao final terminar também com dez. As quase 90 mil pessoas desceram do longo pesadelo ao gramado, que cobriram de faixas, gritando, cantando, e tentando levar a bola, as redes e as traves do Morumbi. E como em todas as superstições, tinha que ser campeão com o homem que conseguiu — longos anos antes— o último título: Osvaldo Brandão, chorando, de repente caiu em ombros que nunca viu e desfilou como se fosse a primeira vez. As luzes do estádio do Morumbi não puderam se apagar tão cedo. E nem a cidade pôde dormir. É assim que talvez seja contada no futuro a história desta noite, por quem a viu. As luzes no estádio continuaram acesas, e o homem rico e simples ali virou um deus, prometendo agora um estádio próprio, o palco que fica faltando para outras festas loucas, livres de pesadelo. Vicente Mateus dizia que agora podia morrer. Como disseram tantos outros.Fim de jogo no Morumbi, a cidade levantou-se do sofá, da cadeira e do chão, correu às ruas com todos os papéis picados na mão e cantou seus novos deuses, históricos: Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir, Vladimir, Russo, Basílio, Luciano, Vaguinho, Geraldo e Romeu. Sexta-feira, 14 de outubro de 1977. Que os chefes de seção, professores, departamentos pessoais e fiscais de cartão de ponto fiquem sabendo do ponto facultativo decretado ontem por um chute forte e alto de Basílio, capaz de balançar as redes durante todo o dia de hoje. Mas que não se preocupem: segunda-feira eles aparecerão de novo, outras vozes, outro jeito, nova vida. Dizem que renasceram ontem.

FONTE: Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 14 de outubro de 1977.

IV CENTENÁRIO – UM TÍTULO POR 100 ANOS

“ ....e termina a partida, consagrando o CORINTHIANS campeão paulista de futebol do Quarto Centenário. Invasão do gramado do Pacaembu por aqueles que se encontravam nas proximidades do túnel, do lado das populares, envolvendo os jogadores alvinegros numa festa excepcional de vitória, num certame que deu com todos os méritos o título ao SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA. Líder absoluto até o início da partida, campeão absoluto do QUARTO CENTENÁRIO, [...] Fibra, classe. Luta, espírito esportivo. Da maneira mais bonita termina para o CORINTHIANS o certame do IV centenário. [...] Já não há possibilidade de se evitar sequer a passagem dos populares pelo alambrado, do lado da concha acústica do Estádio Municipal do Pacaembú. Os polciais tentam cercar a massa, [...] não conseguem nada [...] SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, campeão paulista de futebol no IV Centenário. Festa máxima, apoteose no Pacaembu. Já algumas centenas de representantes da maior torcida paulista estão invadindo o gramado, quase que sufocando todos os seus jogadores. Não conseguem conter o seu entusiasmo, querem dar expansão ao seu sentimento. E assim vibra a família alvinegra, que foi o jogador nº 12 do certame do Centenário de nº 4. Ganhando o CORINTHIANS, ganhando para o CORINTHIANS o campeonato mais expressivo dos últimos anos de contenda do futebol paulista”.

Narração de Pedro Luiz, pela rádio panamericana, após término da partida.No dia 06 de fevereiro de 1955, o SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, conquistava um dos Títulos mais importantes de sua história, o de Campeão do IV centenário de São Paulo. Até então, o CORINTHIANS, já havia conquistado o título de campeão do 1º centenário da independência do Brasil. Depois de mais essa conquista o alvi-negro do Parque São Jorge, passou a ostentar o título de CAMPEÃO DOS CENTENÁRIOS.

O título era válido pelo campeonato paulista de 1954, mas foi disputado em 1955, por ser um campeonato longo.

A final foi contra nosso rival (parmera), que entrou em campo vestido de azul, por ordem de um pai de santo. Na esperança de brecar a MÁQUINA alvinegra, antes do jogo, a porcada distribuiu “papeizinhos” com os seguintes dizeres: “fevereiro 6, domingo, 1955, dia de Santa Dorotéia. Hoje lua cheia. Neste dia o S.C.CORINTHIANS PAULISTA é derrotado sem contestação pelo seu rival s.e.palmeiras”. Coitados! O CORINTHIANS possuía um verdadeiro esquadrão, e junto com a FIEL que lotou o Pacaembu, empatou o jogo (resultado que bastava) para poder ostentar a honra de SER O CAMPEÃO DO IV CENTENÁRIO DE SÃO PAULO.

O gol CORINTHIANO foi marcado pelo eterno ídolo LUIZINHO, e narrado por Pedro Luiz, pela rádio panamericana, da seguinte forma: “Vai ser executado o arremeso por Cláudio. Movimentou o couro. Deu a Rafael. Rafael atrasando para o ponteiro. Pode centrar até com perigo. Ergueu para a boca do gol. Fechou todo mundo. Cabeceou....GOOOOOOOOOLLLL! LUIZINHO PARA O CORINTHIANS! ESPLÊNDIDA CABEÇADA DO MIGNON ALVINEGRO, FAZENDO DELIRAR A TORCIDA CORINTHIANA QUE SE MOVIMENTA EM MASSA NAS DEPENDÊNCIAS do estádio do Pacaembu. Centro perigoso de Cláudio, cabeçada excepcional de Luizinho, tirando toda e qualquer chance de Laércio. Um para o CORINTHIANS, zero para o palmeiras”.

Números do CORINTHIANS no Campeonato Paulista de 1954, IV CENTENÁRIO DE SÃO PAULO:
26 jogos;
18 vitórias;
6 empates;
2 derrotas;
55 gols a favor;
25 gols contra.

Artilheiros CORINTHIANOS:
Luizinho, 14 gols;
Cláudio, 12 gols;
Paulo, 08 gols;
Baltazar, 07 gols;
Nonô, 07 gols;
Rafael, 03 gols;
Roberto, 02 gols;
Carbone, 01 gol;
Gatão, 01 gol

Estádios dos jogos: Pacaembu - 19 jogos; Bauru (noroeste) - 1 jogo; Campinas (guarani) - 1 jogo; Campinas (ponte) - 1 jogo; Jaú - 1 jogo; Lins - 1 jogo; Piracicaba - 1 jogo; Vila Belmiro - 1 jogo.

EXTRA:
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O gol de Rivelino que nem Pelé conseguiu!

Poucos torcedores viram o gol de Rivelino aos 5 segundos do segundo tempo, ontem à tarde no Parque São Jorge, quando o Corintians venceu o América por 5 a 0 na sua estréia no Campeonato Paulista. A maioria da torcida estava desatenta, em pé, procurando acomodação, pensando que a saida de bola seria como todas as outras de quase todas as partidas de futebol: a bola recuada para trás.Mas, como acontece há muito tempo nos treinos do Corintians e em algumas raras partidas, logo após receber o passe do centroavante na saida o meio de campo, Rivelino chutou direto para o gol, forte, no alto. Aos 5 segundos, ele estabeleceu o gol mais rápido do futebol na saida de jogo, um recorde quase impossível de ser superado.Porém, para a FIFA, este não pode ser considerado o gol mais rápido de um jogo, pois ela computa também os 45 minutos iniciais.No exato momento do gol, só Rivelino parecia creditar. Quando a bola entrou no canto oposto do goleiro Pirangi, saiu delirando, acompanhado alguns segundos pelos olhares admirados dos companheiros do Corintians e de toda a torcida.Quem mais ficou perplexo, porém, foi o goleiro Pirangi, do América. Ele demorou mais do que todas as outras pessoas que estavam no estádio para entender que tinha sofrido um gol. Não viu a bola entrar. Enquanto estava abaixado no canto direito, amarrando as chuteiras (ou fazendo uma oração?), a bola entrou no alto pelo outro lado. Só ficou certo de que tinha sofrido um gol quando o América deu a nova saída no meio de campo.O gol de Rivelino surgiu com tanta rapidez que não teve a comemoração que merecia.
O gol de Rivelino surgiu com tanta rapidez que não teve a comemoração que merecia. Tão rápido quem nem deu tempo para vibração. Todos ficaram surpresos, e não conseguiram vibrar com tanta euforia como aconteceu nos quatro outros gols do Corintians.Para alguns jogadores do Corintians, entretanto, caso de Lance, este gol já era esperado. Eles sabiam que um dia aconteceria. Nos treinos, Rivelino insiste bastante nesta jogada, e em alguns jogos do Nacional do ano passado, ele tentou um gol neste estilo.Para o técnico Pirilo, foi uma surpresa: "Nunca pensei que ainda veria um gol tão rapido assim. Em tantos anos de futebol nunca vi coisa igual e creio que jamais verei. Só um jogador como Rivelino poderia fazer isso".Muitos torcedores tiveram no gol de Rivelino, uma desforra. Desde o começo do jogo que eles estavam vaiando os gestos exagerados de aquecimento do goleiro Pirangi, um cabeludo de 17 anos, muito "mascarado". Para eles, a desforra parecia valer mais que o exito de Rivelino - entre outros o de fazer um gol que nem Pelé, o maior jogador do mundo, conseguiu depois de inúmeras tentativas - e continuaram vaiando o jovem goleiro de gestos exagerados até a sua saída do gramado no final da partida.

Publicado na Folha de S.Paulo, segunda-feira, 5 de agosto de 1974.

O MISTERIOSO ENCANTO DE UM CLUBE

No último jogo CORINTHIANS e São Paulo, a proporção de torcedores presentes ao Morumbi, segundo observadores isentos, era de 9 a 1 para o CORINTHIANS. Lembre-se que se tratava de jogo decisivo para o São Paulo (bastava-lhe o empate para ir à final contra a Ponte Preta), o que afasta a hipótese de desinteresse dos seus torcedores. Também da última vez que o CORINTHIANS e Palmeiras se enfrentaram, algumas semanas atrás, a torcida corintiana preponderou em bases que, sem exagero, deveriam estar mais ou menos 8 a 2.

Quem acompanha o futebol paulista nos dois últimos decênios não pode deixar de tirar senão uma conclusão, aliás óbvia: a torcida corintiana vem aumentando e decrescendo a dos demais clubes paulistanos. Hoje, parece, a segunda torcida do Estado é a do Santos, formada por um imenso contingente de admiradores que vêm da era Pelé.

A crônica esportiva veterana cunhou a expressão "trio de ferro", para designar os grandes clubes da Capital (CORINTHIANS, Palmeiras e São Paulo), desse rol excluindo a Portuguesa, que só se tornou "grande" - no sentindo de time forte, em condições de disputar o título - de uns poucos anos para cá. Aquele "trio" compreendia não apenas times poderosos, mas de grande torcida. Não obstante o CORINTHIANS tenha sido sempre o clube da massa, Palmeiras e São Paulo não lhe ficavam muito atrás, em número de simpatizantes. Convém lembrar que no jargão futebolístico o São Paulo já foi (e às vezes ainda é) chamado de "o mais querido" não se sabe bem por quê.

A tendência atual em São Paulo parece ser, inegavelmente, esta: torcida do CORINTHIANS em franca e permanente ascensão; torcida do Palmeiras e do São Paulo em inegável declínio; torcida da Portuguesa estável, mas ameaçada de seguir a mesma trajetória descendente da palmeirense e da são-paulina. A do Santos (que não é clube da Capital) resiste ainda, em função do mito do Pelé, mas não se sabe por quanto tempo. Essas tendências todas podem, evidentemente, modificar-se, se São Paulo, Palmeiras, Portuguesa ou Santos montarem poderosos esquadrões, que arranquem entusiasmo excepcional.

Seria o caso de discutir a razão do fenômeno.

Por que se torce para um clube de futebol? As razões são muitas, quase todas pouco racionais. Uma é o regionalismo: nasci em São Carlos, torço para um time de São Carlos. Outras ligam-se clara ou obscuramente a motivações nacionalistas: os portugueses residentes em São Paulo inclinam-se naturalmente pela Portuguesa. A razão mais próxima da "racional" é a que se fundamenta no poderio técnico de um time: quando o Santos, na era Pelé, era o grande time brasileiro, evidentemente sua torcida cresceu.O corintianismo escapa a essa análise. Não se torce para o CORINTHIANS por nenhuma das razões acima apontadas, ao menos isoladamente. Não se é corintiano por que se é paulista ou brasileiro (embora durante muito tempo o "brasileirismo" do CORINTHIANS fosse um tema mais ou menos explorado: o "clube mais brasileiro do Brasil", o clube que não contratava jogadores estrangeiros, etc). Evidentemente, o Corintians também não é clube de colônia, já se tendo perdido no tempo aquela noção de que era o clube de espanhóis.

Da mesma forma, não é pelas brilhantes virtudes técnicas de seu quadro de futebol que o CORINTHIANS desperta paixões: em muitas e muitas ocasiões, esse quadro foi perfeitamente medíocre, mas nem assim perdeu o dom de conquistar e manter admiradores.

O corintianismo é eminentemente passional, e nisso reside seu segredo. Especialistas em comportamento das multidões, sociólogos e políticos só agora começaram a interessar-se por esse verdadeiro fenômeno paulista, uma instituição que pode ser considerada a própria imagem do fracasso (tanto que ficou na "fila" 22 anos, sem conseguir ganhar um campeonato) - e no entanto cada vez mais prestigiada e amada pelo povo. A parte discutíveis interpretações sociológicas, o charme corintiano residiu precisamente nisso: numa tenaz luta contra as vicissitudes (representadas pelos campeonatos perdidos) e no teor altamente passional de que se reveste cada partida que o CORINTHIANS disputa.

Os times - digamos - comuns, perdem as partidas que devem perder e ganham as que devem ganhar. Com o CORINTHIANS, como regra, nestas duas décadas, sucedeu o oposto: ganhou quando se esperava que perdesse, perdeu quando tinha tudo para ganhar. Nessa imprevisibilidade cada partida do CORINTHIANS, como se sabe, é um drama, tem uma história própria, é que reside o fascínio do time. Não é um time burocrático, como tantos outros. É um sofrido lutador, cujas derrotas, paradoxalmente, em lugar de afastar, conquistam simpatias.

Os times de "colônias" tendem a desaparecer como tais, na medida em que a grande capacidade assimiladora do Brasil vai incorporando o descendente do estrangeiro à comunidade nacional.
O filho do português já não tem razão de torcer para a Portuguesa. A atual geração de descendentes de italianos não se sente ligada ao Palmeiras, como seus pais e avós.Na atual fase do futebol brasileiro, por outro lado, houve uma espécie de nivelamento dos times (por baixo, talvez), de maneira que não há nenhum que sobressaia, por suas qualidade técnicas, em relação aos demais. Assim, também está desaparecendo aquele tipo de torcedor que o São Paulo teve em épocas passadas - ai, o tempo do Leônidas!

Restam as influências de família - a criança que torce para este ou aquele clube, por causa do pai - e a torcida eminentemente passional. O CORINTHIANS, leva a palma a todos os concorrentes, neste último terreno. A seu misterioso encanto não conseguem resistir as novas gerações que começaram a interessar-se pelo futebol. É por isso que pôde dar-se o luxo de passar 22 anos sem ganhar títulos - o título era o que menos importava.Vamos ver se, ganhando agora - enfim, de vez em quando é bom ganhar - o encanto não desaparecerá.

FONTE Emir M. NogueiraPublicado na Folha de S.Paulo, Domingo, 9 de outubro de 1977

Curiosidade do CORINTHIANS - você sabia...?

O primeiro jogo do CORINTHIANS na Fazendinha (atual estádio Alfredo Schürig, no Parque São Jorge) não foi como mandante, mas sim como visitante. O jogo ocorreu no ano de 1923, mais precisamente em 25 de janeiro, contra o SÍRIO ( proprietário do Parque São Jorge na época) Placar da partida 1 X 0 pro TIMÃO.

O Parque São Jorge foi adquirido pelo SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA em 1926. Após dois anos de reformas, foi inaugurado em 1928.

O primeiro jogo do CORINTHIANS como mandante foi contra o América -.RJ. Placar 2 x2 . Nesse jogo foi marcado o gol mais rápido da história do Parque São Jorge, aos 29 segundos do 1º tempo, pelo jogador corinthiano, De Maria.

Em 12 de outubro de 1929, foi inaugurado o busto em homenagem a Neco ( primeiro busto do Parque São Jorge). Para comemorar a data, foi realizado no Parque São Jorge, Estádio Alfredo Schürig (Fazendinha), um jogo contra o Atlético - MG. Placar da partida 11 x 2 pro TIMÃO.

A primeira invasão da história do TIMÃO território adversário foi em 1931, em um jogo contra o santos. A FIEL invadiu a vila belmiro para ver o tri-campeonato do CORINGÃO (28/29 invicto/30) goleando os lambaris por 5x2. Data 4 de janeiro de 1931.

Em 10 de fevereiro de 1935, o CORINTHIANS, foi o único time brasileiro a parar o campeão argentino Boca Juniors, que arrasou em todos os jogos no Brasil. O jogo ocorreu na Fazendinha e o placar foi de 2 x 0 pro TIMÃO.

A Fama de time da VIRADA imputada ao TIMÃO, começou nos anos 30. Um exemplo foi um jogo contra o Vasco da Gama – RJ, onde o TIMÃO começou perdendo por 3 x 0 e acabou o jogo vitorioso por 4x3. Em 20 de outubro de 1935 e São Januário – RJ.

A Maior invencibilidade de nossa história é de 35 jogos sem perder. 29 VITÓRIAS e 6 empates. Começou em na partida contra a lusa santista, 1x0 pro TIMÃO, e só terminou em 1937 com uma derrota pro juventus (mulek Travesso).

Em 1940, em jogo contra o palestra itália (hj parmera), foi jogado por um torcedor porco, um galo pintado de verde, para “simbolizar” a fibra do time. O Jogo acabou 2 x 0 pro TIMÃO e o coitado do Galo foi depenado. Hj resta um pena desse pobre galo, guardada na sala de TROFÉUS DO TIMÃO. No Memorial do CORINTHIANS, no Parque São Jorge. ( Jogo realizado no Parque São Jorge em 18 de agosto de 1940).

A primeira vez que o CORINTHIANS jogou com camisas numeradas foi em 22 de dezembro de 1946 em um jogo no Pacaembu, contra o river plate da argentina.

Fonte : Almanaque do TIMÃO Celso Dario Unzelte

Democracia Corinthiana!! Aqui é Corinthians!!

Mais uma prova de que o CORINTHIANS realmente é muito mais que um clube e tem uma participação muito importante enorme na história do Brasil. A Democracia Corinthiana surgiu em um momento muito importante e crítico em nosso país.Nas Palavras de Emir Sader, sociólogo, sobre a Democracia Corinthiana:"Essa experiência aconteceu surpreendente e prematuramente no Corinthians. Quando ninguém no Brasil podia votar, os jogadores daquele grupo conquistaram o Direito de decidir sobre seus rumos".

Fonte: Trecho do Livro Democracia Corinthiana de Ricardo Gozzi e Dr. Socrátes!

CORINTHIAN-CASUALS MUNDIAL 2000!

Em 14 de janeiro de 2000, o CORINTHIAN-CASUALS, enviou uma carta ao SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, parabenizando pela conquista do primeiro MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA.

Detalhe: A BBC de Londres transmitiu a final em rede nacional!! Mais um fato inquestionável pros antis se fud....!!

“Por meio do presidente Jimmy Hill, seu presidente – executivo, suas comissões, diretores e jogadores de suas 15 equipes, Corinthian – Casuals Football Club gostaria de enviar calorosas congratulações para o Corinthians Paulista por seu sucesso na final do Mundial de Clubes da Fifa. Nós vibramos assistindo à final em rede, ao vivo, aqui pela BBC na sexta-feira à noite e vibramos ainda mais em assistir ao goleiro Dida fazendo a defesa que efetivamente garantiu a Copa (assim como fez antes com o Real Madrid). Através de nossa comum descendência, nos sentimos refletidos do brilho de seu triunfo. Lembramos com muito prazer nossa visita em 1988, quando jogamos como ‘Pai x Filho’ no Pacaembu. Mas agora temos um ainda maior prazer que ‘nosso’ time é campeão do Mundo.Minhas congratulações para todo o Corinthians, passado e presente, de todos nós do Corinthian-Casuals.

David Harrison, presidente executivo.”

FONTE: Livro Neco O Primeiro Ídolo - Antônio Roque Citadini

RIVELINO - INÍCIO DE SUA CARREIRA

“Maloca...Maloca...! Abre para a esquerda. Maloca, cuidado com o ladrão!”.De repente, um senhor já de cabelos grisalhos salta da pequena arquibancada do Parque São Jorge e invade o campo em altos brados: “Aqui ninguém vai chamar meu filho de “Maloca” ou qualquer outro apelido. O nome do garoto é Rivelino”.Um jornalista meio desavisado emendou “Mas este nome é muito complicado”. O velho Nicola Rivelino mais que depressa completou – “Preste atenção nele porque um dia você terá este nome na ponta da língua e muito bem decorado”.

TEXTO PUBLICADO NA Revista Show do Esporte, em meados de 1965 .